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História de uma Alma

Santa Teresinha do Menino Jesus (Tradução de 1906)

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Meu retiro de profissão foi, portanto, igual a todos os que fiz depois, um retiro de grande aridez. Mas Deus mostrava-me, claramente, sem eu o perceber, o meio de Lhe agradar e de praticar as mais sublimes virtudes. Notei muitas vezes que Deus não quer dar-me provisões, alimenta-me a cada momento com alimento novo, encontro-o em mim, sem saber como chegou... Creio simplesmente que é o próprio Jesus, oculto no fundo do meu coraçãozinho que me faz a graça de agir em mim e me leva a pensar tudo o que Ele quer que eu faça no presente momento. Alguns dias antes da minha profissão, tive a felicidade de obter a bênção do Soberano Pontífice; tinha-a solicitado por intermédio do bom irmão Simião para Papai e para mim. Foi um grande consolo poder propiciar a meu Paizinho querido a graça que ele me tinha dado levando-me a Roma. Enfim, chegou o belo dia das minhas núpcias. Foi sem nuvem, mas na véspera levantou-se em minha alma uma tempestade como nunca tinha visto... Nenhuma dúvida quanto à minha vocação tinha surgido antes, precisava passar por essa provação. De noite, ao fazer minha via-sacra após matinas, minha vocação apareceu-me como um sonho, uma quimera... achava a vida do Carmelo muito bonita, mas o demônio me assegurava que não era para mim, que eu enganaria meus superiores prosseguindo num caminho que não era para mim... Minhas trevas eram tão grandes, que não via e só compreendia uma coisa: não tinha essa vocação!... Ah! como descrever a angústia da minha alma?... Tinha impressão (coisa absurda que mostra bem que essa tentação vinha do demônio) de que se falasse dos meus temores para minha mestra ela me impediria de fazer meus santos votos; mas eu queria fazer a vontade de Deus e voltar para o mundo de preferência a ficar no Carmelo fazendo a minha. Fiz minha mestra sair e, cheia de confusão, contei-lhe o estado da minha alma... Felizmente, ela enxergou melhor que eu e me tranqüilizou completamente. Aliás, o ato de humildade que eu tinha feito acabava de afugentar o demônio, que talvez pensasse que eu não ia ousar confessar a minha tentação; logo que acabei de falar, minhas dúvidas se foram. Mas, para tornar meu ato de humildade mais completo, quis confiar minha estranha tentação à nossa Madre, que se contentou em rir de mim. Na manhã de 8 de setembro senti-me inundada por um rio de paz e foi nessa paz, "ultrapassando qualquer sentimento", que pronunciei meus santos votos... Minha união com Jesus fez-se, não em meio a trovões e relâmpagos, isto é, a graças extraordinárias, mas no meio de uma leve

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