os pormenores, mas essas páginas nunca serão lidas na terra. Em breve, querida Madre, falar-vos-ei de todas essas coisas em nossa casa paterna, no belo Céu para o qual sobem os suspiros dos nossos corações!... Meu vestido de noiva estava pronto; mesmo enriquecido com as antigas jóias que meu Noivo me havia dado, ainda não era suficiente para sua generosidade. Queria dar-me um novo brilhante de inúmeros reflexos. A provação de Papai, com todas as circunstâncias que a cercaram, constituía as antigas jóias, a nova foi uma provação aparentemente muito pequena, mas que me fez sofrer muito. Desde algum tempo, nosso pobre paizinho estava melhor, faziam-no sair de carro, cogitavase até fazê-lo viajar de trem para vir nos visitar. Naturalmente, Celina pensou logo no dia da minha tomada de véu. Para não cansá-lo, dizia ela, não deixarei que assista à cerimônia inteira, só no final irei buscá-lo e o levarei devagar até a grade para que Teresa receba sua bênção. Ah! como vejo bem aí o coração da minha Celina querida... como é verdade que "o amor não vê impossibilidade porque pensa que tudo lhe é possível e permitido"... A prudência humana, ao contrário, treme a cada passo e não ousa, por assim dizer, dar um passo. Querendo provar-me, Deus serviu-se dela como de um instrumento dócil e, no dia das minhas núpcias, fiquei verdadeiramente órfã, não tendo mais Pai na terra, mas podendo olhar para o Céu confiante e dizer com toda a verdade: "Pai Nosso que estais no Céu". Antes de falar-vos dessa provação, Madre querida, deveria ter-vos falado do retiro que antecedeu minha profissão; não me trouxe consolações, mas a mais absoluta aridez, quase o abandono. Jesus dormia como sempre no meu barquinho; ah! vejo que raramente as almas o deixam dormir sossegado nelas. Jesus fica tão cansado de sempre dar os primeiros passos e pagar as contas, que se apressa em aproveitar o descanso que eu lhe propicio. Provavelmente não acordará antes do meu grande retiro de eternidade, mas, em vez de causar-me tristeza, isso me alegra extremamente... Verdadeiramente, estou longe de ser santa, só isso o prova bem; em vez de me regozijar com a minha aridez, deveria atribuí-la a minha falta de fervor e de fidelidade, deveria ficar aflita por dormir (há sete anos) durante minhas orações e minhas ações de graças, mas não, não me aflijo... penso que as criancinhas agradam tanto seus pais quando dormem como quando estão acordadas, penso que para fazer cirurgias os médicos adormecem seus pacientes. Enfim, penso que: "O Senhor vê nossa fragilidade, que Ele não perde de vista que só somos pó".
Informações adicionais serão incluídas em breve.