separar, as grades do Carmelo uniam mais fortemente nossas almas, tínhamos os mesmos pensamentos, os mesmos desejos, o mesmo amor de Jesus e das almas... Quando Celina e Teresa falavam uma com a outra, nunca uma palavra das coisas da terra entrava na conversação, que já era do Céu. Como outrora no mirante, elas sonhavam com as coisas da eternidade, e para gozar logo dessa felicidade sem fim escolhiam, na terra, por única partilha "o sofrimento e o desprezo". Assim decorreu o tempo do meu noivado... foi muito demorado para a pobre Teresinha! No final do meu ano, nossa Madre disse-me para não sonhar com a profissão, que certamente o padre superior recusaria meu pedido. Fui obrigada a esperar mais oito meses... Naquele momento, foi-me muito difícil aceitar esse grande sacrifício, mas logo fez-se luz em minha alma. Meditava então "os fundamentos da vida espiritual" do padre Surin. Um dia, durante a oração, compreendi que meu tão vivo desejo de fazer profissão estava mesclado de um grande amor-próprio; sendo que me dera a Jesus para agradar a Ele, consolá-lo, não devia obrigá-lo a fazer minha vontade de preferência à Dele, compreendi também que uma noiva devia estar preparada para o dia do enlace, e eu nada tinha feito para isso... disse então a Jesus: "Oh, meu Deus! não peço para fazer os santos votos, esperarei o tempo que Vós quiserdes, só não quero que, por culpa minha, nossa união seja adiada, mas vou fazer o maior esforço para confeccionar para mim um vestido bonito, enriquecido de pedras. Quando Vós o achardes bastante bonito, estou certa de que nenhuma criatura Vos impedirá de descerdes a mim, a fim de me unir para sempre a Vós, ó meu amado!..." Desde minha tomada de hábito, eu recebera luz abundante a respeito da perfeição religiosa, principalmente do voto de pobreza. Durante meu postulado, gostava de possuir coisas boas para meu uso e de encontrar à mão tudo o que me era necessário. "Meu Diretor" tolerava isso com paciência, pois Ele não gosta de revelar tudo ao mesmo tempo às almas. Geralmente, dá sua luz pouco a pouco. No início da minha vida espiritual, pelos 13 ou 14 anos, perguntava a mim mesma o que eu aprenderia mais tarde, pois parecia-me impossível entender melhor a perfeição. Não demorei em compreender que mais se avança nesse caminho, mais se acredita estar afastado da meta; agora, resigno-me em ser sempre imperfeita e fico contente... . Volto às lições que "meu Diretor" me deu. Uma noite, depois das Completas, procurei em vão nossa lampadinha sobre as tábuas reservadas para esse uso, era silêncio total, impossível perguntar... entendi que uma irmã, acreditando ter pegado sua lâmpada, pegou a nossa, da qual eu estava muito necessitada; em vez de desgostar-me, fiquei feliz, sentindo que a pobreza consiste em se ver privado não só das coisas agradáveis, mas
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