do centenário de N. P. são João da Cruz. Pegou minha cabeça em suas mãos, fez-me mil carícias de todas as espécies, nunca eu tinha sido tão honrada! enquanto isso, Deus fazia-me pensar nas carícias que me prodigalizará diante dos anjos e dos santos e das quais me dava uma fraca imagem desde então; por isso, a consolação que senti foi muito grande. Como acabo de dizer, 10 de janeiro foi o triunfo para meu Rei. Comparo esse dia ao da entrada de Jesus em Jerusalém no dia dos Ramos. Como a do Nosso Divino Mestre, a glória dele foi de um dia e seguida por uma paixão dolorosa. Mas essa paixão não foi só dele; assim como as dores de Jesus traspassaram como um punhal o coração da sua divina Mãe, também os nossos corações sentiram os sofrimentos daquele a quem queríamos com a maior ternura nesta terra... Recordo que no mês de junho de 1888, quando das primeiras provações, eu dizia: "Sofro muito, mas sinto que posso suportar provações ainda maiores". Não pensava então naquelas que me estavam reservadas... Não sabia que em 12 de fevereiro, um mês depois da minha tomada de hábito, nosso Pai querido beberia na mais amarga e mais humilhante de todas as taças... Ah! naquele dia eu não disse que podia sofrer ainda mais!!!... As palavras não conseguem expressar nossas angústias, por isso não vou procurar descrevê-las. Um dia, no Céu, gostaremos de nos recordar das nossas gloriosas provações. Não estamos felizes, no presente momento, por tê-las sofrido?... Sim, os três anos do martírio de Papai pareceramme os mais amáveis, os mais rendosos de toda a nossa vida, não os doaria em troca de todos os êxtases e revelações dos santos. Meu coração transborda de gratidão ao pensar nesse tesouro inestimável que deve causar santa inveja aos anjos da Corte celeste... Meu desejo de sofrimento estava repleto, mas minha atração por ele não diminuía, por isso minha alma compartilhou logo do sofrimento do meu coração. A aridez passou a ser meu pão de cada dia; privada de qualquer consolação, não deixava de ser a mais feliz das criaturas, sendo que todos os meus desejos estavam satisfeitos... Oh, Madre querida! como foi doce a nossa grande provação, sendo que do coração de todas nós só saíram suspiros de amor e de gratidão!... Não mais andávamos nas sendas da perfeição, voávamos, as cinco. As duas pobres pequenas exiladas de Caen, embora estivessem ainda no mundo, não eram mais do mundo... Ah! que maravilhas a provação operou na alma da minha Celina querida!... Todas as cartas que escreveu na época têm o selo da resignação e do amor... E quem poderia relatar as conversações que tínhamos?... Ah! longe de nos
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