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História de uma Alma

Santa Teresinha do Menino Jesus (Tradução de 1906)

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las... Oh, Madre! quanto sofremos!... e ainda era apenas o começo da nossa provação... Todavia, o tempo da minha tomada do hábito havia chegado; fui recebida pelo Capítulo, mas como pensar numa cerimônia? Já se falava de me dar o santo hábito sem fazer-me sair, quando se decidiu esperar. Contra qualquer esperança, nosso pai querido restabeleceu-se uma segunda vez e Sua Excelência marcou a cerimônia para 10 de janeiro. A espera havia sido longa, mas que bela festa!... Nada faltava, nada, nem a neve... Não sei se já vos falei do meu amor pela neve... Quando pequenina, sua brancura me encantava; um dos meus maiores prazeres consistia em andar sob os flocos de neve caindo. De onde me vinha esse gosto pela neve?... Talvez por ser uma florzinha de inverno, o primeiro adorno da natureza que meus olhos de criança viram tenha sido seu manto branco... Enfim, sempre sonhara com que no dia da minha tomada de hábito a natureza se vestisse como eu, de branco. Na véspera desse belo dia, olhava tristemente o céu cinzento de onde caía de tempo em tempo um chuva fina, e a temperatura era tão alta que não esperava neve. Na manhã seguinte, o céu não havia mudado, mas a festa foi encantadora e a flor mais bela, a mais encantadora, era meu Rei querido, nunca estivera tão bonito, mais digno... Foi admirado por todos. Esse dia foi seu triunfo, sua última festa na terra. Havia dado todas as suas filhas a Deus, pois quando Celina lhe comunicou sua vocação chorou de alegria e foi com ela agradecer Àquele que "lhe dava a honra de tomar todas as suas filhas". No final da cerimônia, Sua Excelência entoou o Te Deum. Um sacerdote tentou lembrar-lhe que esse cântico só se canta nas profissões, mas a partida fora dada e o hino de ação de graças prosseguiu até o final. Não devia a festa ser completa, pois reunia todas as outras?... Depois de ter beijado urna última vez meu Rei querido, voltei para a clausura. A primeira coisa que vi foi "meu pequeno Jesus cor-de-rosa" sorrindo-me no meio das flores e das luzes e logo vi os flocos de neve... o pátio estava branco como eu. Que delicadeza de Jesus! Antecipando-se aos desejos da sua noiva, mandava-lhe neve... Neve! que mortal, por mais poderoso que seja, é capaz de fazer cair neve do céu para encantar sua amada?... Talvez as pessoas do mundo se perguntem isso, mas o certo é que a neve da minha tomada de hábito pareceu ser um pequeno milagre e toda a cidade ficou surpresa. Achou-se que eu tinha um gosto esquisito, gostar da neve... Tanto melhor, isso acentuou ainda mais a incompreensível condescendência do Esposo das virgens... Daquele que gosta dos Lírios brancos como a NEVE!... Sua Excelência entrou depois da cerimônia, e foi de uma bondade muito paterna para comigo. Creio que ele estava satisfeito em ver que eu tinha conseguido; dizia a todos que eu era "sua filhinha". Todas as vezes que voltou, depois, foi sempre muito bom comigo; recordo-me especialmente de sua visita por ocasião

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