Não era uma felicidade efêmera; não iria embora com as ilusões dos primeiros dias. Deus concedeu-me a graça de não ter ilusões, NENHUMA ilusão ao entrar para o Carmelo. Encontrei a vida religiosa tal como a imaginara, nenhum sacrifício me surpreendeu e, contudo, vós sabeis, Madre querida, meus primeiros passos encontraram mais espinhos do que rosas!... Sim, o sofrimento estendeu-me os braços e atirei-me a ele com amor... O que eu vinha fazer no Carmelo, declarei-o aos pés de Jesus-Hóstia, no exame que antecedeu minha profissão: "Vim para salvar as almas e sobretudo, rezar elos sacerdotes". Quando se quer atingir um fim, é preciso tomar os meios, Jesus fez-me compreender que era pela cruz que queria me dar almas e minha atração pelo sofrimento crescia na medida em que o sofrimento aumentava. Durante cinco anos, esse caminho foi o meu mas, por fora, nada exteriorizava meu sofrimento, mais doloroso por ser eu a única a saber dele. Ah! quantas surpresas teremos no juízo final, quando conhecermos a história das almas!... haverá pessoas surpresas ao conhecer a via pela qual fui conduzida!... Isso é tão verdadeiro que, dois meses após meu ingresso, estando aqui para a profissão de Irmã Maria do Sagrado Coração, o padre Pichon ficou espantado ao constatar o que Deus operava em minha alma e disse-me que, na véspera, tendo-me observado rezando no coro, pensou ser meu fervor totalmente infantil e meu caminho muito manso. Minha entrevista com o bom padre foi para mim um grande consolo, mas coberto de lágrimas diante da dificuldade que sentia em abrir minha alma. Fiz, porém, uma confissão geral tal como nunca tinha feito; no final, o padre me disse as mais consoladoras palavras que já ressoaram aos ouvidos da minha alma: "Na presença de Deus, da Santíssima Virgem e de todos os santos, declaro nunca terdes cometido um único pecado mortal". E acrescentou: deis graças a Deus pelo que Ele faz por vós, pois se Ele vos abandonasse, em vez de serdes um anjinho, seríeis um diabinho. Ah! não tinha dificuldade em acreditar, sentia o quanto era fraca e imperfeita, mas a gratidão enchia minha alma. Tinha tanto receio de ter maculado meu vestido de batismo, que tal certidão, oriunda da boca de um diretor conforme os desejos de Nossa Santa Madre Teresa, isto é, que une ciência e virtude, parecia-me ter saído da própria boca de Jesus... O bom padre disse-me ainda essas palavras que se gravaram em meu coração: "Minha filha, que Nosso Senhor seja sempre vosso Superior e vosso Mestre de noviças". De fato o foi, e foi também "meu diretor". Não quero dizer com isso que minha alma estivesse fechada para minhas superioras, ah! longe disso, sempre procurei fazer dela um livro aberto; mas nossa Madre, freqüentemente doente, tinha pouco tempo para cuidar de mim. Sei que me amava
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