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História de uma Alma

Santa Teresinha do Menino Jesus (Tradução de 1906)

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muito e dizia de mim todo o bem possível, todavia Deus permitia que, à sua revelia, ela fosse SEVERÍSSIMA; não podia encontrá-la sem beijar a terra, era a mesma coisa por ocasião das escassas direções espirituais que eu tinha com ela... Que graça inestimável!... Como Deus agia visivelmenle naquela que o substituía!... Que teria sido de mim se, como pensavam as pessoas de fora, tivesse sido "o brinquedinho" da comunidade?... Quiçá, em vez de ver Nosso Senhor em minhas Superioras, não teria considerado apenas as pessoas e meu coração, tão bem preservado no mundo, ter-se-ia ligado humanamente no claustro... Felizmente, fui protegida contra essa desgraça. Sem dúvida, gostava muito da nossa Madre, mas de um afeto puro que me elevava para o Esposo da minha alma... Nossa mestra era uma verdadeira santa, o tipo acabado das primeiras carmelitas. Eu ficava com ela o dia todo, pois ensinava-me a trabalhar. Sua bondade para comigo era sem limites e, todavia, minha alma não se dilatava... Só com esforço eu conseguia fazer direção espiritual, não estando habituada a falar da minha alma não sabia expressar o que se passava. Uma boa velha madre compreendeu o que ocorria comigo e disse-me, rindo, num recreio: "Filhinha, creio que não tendes muita coisa a dizer às vossas superioras". "Por que, Madre, dizeis isso?..." "Porque vossa alma é extremamente simples", mas quando estiverdes perfeita sereis ainda mais simples, mais nos aproximamos de Deus, mais simples ficamos". A boa Madre estava com a razão, porém, a dificuldade que sentia para abrir minha alma, embora viesse da minha simplicidade, era uma verdadeira provação. Reconheço-o agora, pois, sem deixar de ser simples, exprimo meus pensamentos com muito maior facilidade. Disse que Jesus fora "meu Diretor". Ao ingressar no Carmelo, conheci aquele que devia servir-me de diretor, mas apenas me admitira como sua filha partiu para o exílio... Portanto, só o conheci para ficar privada dele... Reduzida a receber dele uma carta anual pelas doze que lhe escrevia, meu coração dirigiu-se logo para o diretor dos diretores e foi Ele quem me instruiu dessa ciência que esconde dos sábios e dos pedantes e revela aos menores... A florzinha transplantada sobre a montanha do Carmelo ia desabrochar à sombra da Cruz; as lágrimas, o sangue de Jesus foram seu orvalho. Seu sol foi a Face Adorável coberta de lágrimas... Até então, não tinha imaginado a imensidade dos tesouros escondidos na Sagrada Face. Foi por vosso intermédio, querida Madre, que aprendi a conhecê-los, assim como, em outro momento, precedeu a todas nós no Carmelo, da mesma forma sondastes primeiro os mistérios de amor escondidos no Rosto do

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