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História de uma Alma

Santa Teresinha do Menino Jesus (Tradução de 1906)

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mil perdões pelas penas que pensava ter-me causado. Enfim, minha querida Leoninha, de volta da Visitação havia alguns meses, enchia-me de beijos e carícias. Só de Celina eu não falei, mas adivinhais, querida Madre, corno se passou a última noite em que dormimos juntas... Na manhã do grande dia, depois de lançar um último olhar aos Buissonnets, ninho gracioso da rainha infância que não devia nunca mais rever, parti de braços dados com meu Rei querido para subir a montanha do Carmelo... Como na véspera, a família toda se reuniu para assistir à missa e comungar. Logo após Jesus ter descido ao coração dos meus familiares queridos, só ouvi soluços ao meu redor. Só eu não chorava, mas senti meu coração bater com tanta violência que me pareceu impossível andar quando nos fizeram sinal para chegar até a porta do convento. Andei, embora me perguntando se não ia morrer devido à força das batidas do meu coração... Ah! que momento aquele. É preciso tê-lo vivido para saber como é... Minha emoção não se expressava externamente. Depois de ter abraçado todos os membros da minha querida família, pus-me de joelhos diante do meu incomparável pai e pedi-lhe a bênção. Ele mesmo ajoelhou-se e me abençoou chorando... Era um espetáculo de fazer os anjos sorrir, esse de um ancião apresentando ao Senhor sua criança ainda na primavera da vida!... Alguns momentos depois, as portas da arca sagrada fechavam-se sobre mim e passava a receber os abraços das irmãs queridas que me haviam servido de mães e que ia, doravante, tomar por modelo das minhas ações... Enfim, meus desejos estavam realizados, minha alma gozava de uma PAZ tão suave e tão profunda que me seria impossível expressar e, há sete anos e meio, essa paz íntima continuou sendo meu quinhão. Não me abandonou em meio às maiores provações. Como todas as postulantes, fui levada ao coro logo após minha entrada; estava escuro, por causa do Santíssimo exposto, e o que chamou minha atenção foram os olhos da nossa santa Madre Genoveva, que se fixaram sobre mim. Fiquei algum tempo de joelhos a seus pés, agradecendo a Deus pela graça que me concedia de conhecer uma santa, e acompanhei nossa Madre Maria de Gonzaga aos diversos recintos do convento. Tudo me parecia bonito, tinha impressão de ter sido transportada para o deserto. Nossa pequena cela me encantava especialmente, mas a alegria que sentia era calma, nem a menor aragem fazia ondular as águas tranqüilas em que navegava meu barquinho, nenhuma nuvem escurecia meu céu azul... ah! estava plenamente recompensada por todas as minhas provações... Com que alegria profunda repetia estas palavras: "É para sempre, sempre, que estou aqui!..."

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