para esperar alguns dias. Obedeci logo, pois estava certa de que era o melhor meio de não errar. Enfim, dez dias antes do Natal, minha carta partiu. Convicta de que a resposta não demoraria, ia todas as manhãs, depois da missa, com papai à agência dos correios, acreditando encontrar aí a permissão para levantar vôo. Cada manhã trazia nova decepção que, porém, não abalava minha fé... Pedia a Jesus para romper meus laços. Ele os rompeu, mas de maneira totalmente diferente do que esperava... A bela festa de Natal chegou e Jesus não acordou... Deixou no chão sua pequena bola sem ao menos olhar para ela... Foi de coração partido que assisti à missa do galo; esperava tanto assistir atrás das grades do Carmelo!... Essa provação foi muito grande para minha fé... Mas Aquele cujo coração vigia durante o sono fez-me compreender que, para quem tem fé do tamanho de um grão de mostarda, Ele opera milagres e transporta as montanhas para firmar essa pequena fé, mas para seus íntimos, para sua Mãe, não opera milagres antes de provar sua fé. Não deixou Lázaro morrer, embora Marta e Maria o tivessem avisado que ele estava doente?... Nas bodas de Caná, quando Nossa Senhora lhe pediu para socorrer os anfitriões, não respondeu que sua hora não tinha chegado?... Mas, depois da provação, que recompensa: a água se transforma em vinho... Lázaro ressuscita... É assim que Jesus age com sua Teresinha; depois de a pôr à prova durante muito tempo, satisfez todos os desejos do seu coração... Na tarde da radiosa festa que passei chorando, fui visitar as carmelitas; foi grande a surpresa quando, ao abrir-se a grade, vi um lindo menino Jesus segurando nas mãos uma bola com meu nome escrito nela. No lugar de Jesus, pequeno demais para poder falar, as carmelitas cantaram para mim um cântico composto pela minha querida Madre. Cada palavra derramava em minha alma um doce consolo. Nunca me esquecerei dessa delicadeza do coração materno que sempre me cumulou das mais finas ternuras... Após ter agradecido no meio de doces lágrimas, relatei a surpresa que minha Celina querida me fizera ao voltar da missa do galo. Encontrei no meu quarto, dentro de uma bela bacia, um barquinho carregando o menino Jesus dormindo com uma pequena bola ao lado Dele. Na vela branca, Celina escrevera as seguintes palavras: "Durmo, mas meu coração vela", e, sobre o barquinho, apenas essa palavra: "Abandono!" Ah! se Jesus ainda não falava com sua noivinha, se seus divinos olhos continuavam sempre fechados, pelo menos Ele se revelava a ela por meio de almas que compreendiam todas as delicadezas e o amor do seu coração...
Informações adicionais serão incluídas em breve.