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História de uma Alma

Santa Teresinha do Menino Jesus (Tradução de 1906)

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vez, durante a viagem, não tive a paciência de esperar pelo Céu para ser a primeira... Num dia em que visitávamos um mosteiro de padres carmelitas, não estando satisfeita em acompanhar os romeiros nos corredores exteriores, adentrei os claustros internos... De repente, vi um bom velho carmelita que me fazia sinal, de longe, para me afastar. Em vez de voltar, aproximei-me dele mostrando os quadros do claustro e dizendo, por sinal, que eram bonitos. Ele percebeu, sem dúvida pelos meus cabelos soltos e meu ar jovem, que eu não passava de uma criança; sorriu-me com bondade e se afastou, ciente de que não tinha enfrentado uma inimiga. Se eu soubesse falar italiano, ter-lhe-ia dito ser uma futura carmelita, mas por causa dos construtores da torre de Babel isso não foi possível. Depois de ter visitado Pisa e Gênova, voltamos à França. No percurso, a vista era magnífica. Às vezes, íamos pela beira-mar e a ferrovia passava tão perto que dava a impressão de que as ondas iam nos alcançar. Esse espetáculo foi causado por uma tempestade. Era noite, o que tornava a cena ainda mais imponente. Outras vezes, planícies cobertas de laranjais com frutas maduras, verdes oliveiras com folhagem leve, palmeiras graciosas... no fim da tarde, víamos numerosos pequenos portos marítimos iluminar-se com milhares de luzes, enquanto no Céu brilhavam as primeiras estrelas... Ah! que poesia enchia minha alma vendo todas essas coisas pela primeira e última vez na minha vida!... Era sem pena que as via esvair-se, meu coração aspirava a outras maravilhas. Ele tinha contemplado suficientemente as belezas da terra, as do Céu eram objeto dos seus desejos e para dá-las às almas queria tornar-me prisioneira!... Antes de ver abrir-se diante de mim as portas da prisão abençoada com a qual sonhava, precisava lutar e sofrer ainda mais... sentia-o ao voltar à França. Todavia, minha confiança era tão grande que não cessava de esperar que me seria permitido ingressar em 25 de dezembro... De volta a Lisieux, nossa primeira visita foi ao Carmelo. Que reencontro aquele!... Tínhamos tantas coisas para nos contar após um mês de separação, mês que me pareceu mais longo e durante o qual aprendi mais que durante muitos anos... Oh, Madre querida! como foi doce para mim vos rever, abrir-vos minha pobre pequena alma ferida. A vós que tão bem sabíeis me compreender, a quem uma palavra, um olhar bastava para adivinhar tudo! Abandoneime completamente, tinha feito tudo o que dependia de mim, tudo, até falar com o Santo Padre. Não sabia mais o que tinha de fazer. Dissestes-me para escrever a Sua Excelência e lembrar-lhe sua promessa; eu o fiz logo, o melhor que me foi possível, mas em termos que meu tio achou simples demais. Ele refez minha carta. No momento em que ia enviá-la, recebi uma de vós, dizendo-me para não escrever,

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