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História de uma Alma

Santa Teresinha do Menino Jesus (Tradução de 1906)

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joelhos de Leão XIII, e foi pela força que me arrancaram dos seus pés... No momento em que estava sendo retirada, o Santo Padre colocou sua mão nos meus lábios e levantou-a para me benzer. Então, meus olhos encheram-se de lágrimas e o padre Révérony pôde contemplar, pelo menos, tantos diamantes como tinha visto em Bayeux... Os dois guardas carregaram-me, pode-se dizer, até a porta e um terceiro me deu uma medalha de Leão XIII. Celina, que me seguia e havia sido testemunha da cena que acabava de acontecer, quase tão emocionada quanto eu, ainda teve a coragem de pedir ao Santo Padre uma bênção para o Carmelo. O padre Révérony, com voz descontente, respondeu: "O Carmelo já foi abençoado". O bondoso Santo Padre confirmou com doçura: "Oh, sim! já foi abençoado". Antes de nós, papai viera aos pés de Leão XIII, com os homens. O padre Révérony foi gentil com ele, apresentando-o como pai de duas carmelitas. Como sinal de benevolência, o Soberano Pontífice pôs a mão sobre a cabeça venerável do meu Rei querido, parecendo marcá-la com um selo misterioso, em nome Daquele de quem é o verdadeiro representante... Ah! agora que esse Pai de quatro carmelitas está no Céu, não é mais a mão do pontífice que repousa sobre sua fronte, profetizando-lhe o martírio... É a mão do Esposo das Virgens, do Rei de Glória, que faz resplandecer a cabeça de seu Fiel Servo. E, mais do que nunca, essa mão adorada não deixará de repousar na fronte que tem glorificado... Meu papai querido ficou muito triste ao me encontrar chorando à saída da audiência, fez tudo o que pôde para me consolar. Mas foi inútil... No fundo do coração, sentia grande paz, pois tinha feito tudo o que me era possível fazer para responder ao que Deus queria de mim; mas essa paz estava no fundo e a amargura enchia minha alma, pois Jesus ficava calado. Parecia-me ausente, nada revelava a presença Dele... Ainda naquele dia, o sol não brilhou e o belo céu azul da Itália, carregado de nuvens escuras, não parou de chorar comigo... Ah! para mim, a viagem tinha acabado. Não comportava mais encantos, pois a finalidade não fora alcançada. Todavia, as últimas palavras do Santo Padre deveriam ter-me consolado: não eram, de fato, verdadeira profecia? Apesar de todos os obstáculos, o que Deus quis cumpriu-se. Não permitiu que as criaturas fizessem o que queriam, mas a vontade Dele... Havia algum tempo oferecera-me ao Menino Jesus para ser seu brinquedinho. Tinhalhe dito para não me usar como brinquedo caro que as crianças só podem olhar sem ousar tocar, mas como uma bola sem valor que podia jogar no chão, dar pontapés, furar, largar num cantinho ou apertar contra seu coração conforme achasse melhor; numa palavra, queria divertir o Menino Jesus, agradar-lhe, queria entregar-me a suas manhas de criança... Ele aceitou minha oferta...

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