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História de uma Alma

Santa Teresinha do Menino Jesus (Tradução de 1906)

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lágrimas misturaram-se à bebida que me era oferecida. Depois da missa de ação de graças que se seguiu à de Sua Santidade, a audiência começou. Leão XIII estava sentado numa grande poltrona, vestido simplesmente da batina branca, camalha da mesma cor e solidéu. Ao redor dele estavam cardeais, arcebispos, bispos, mas só os vi vagamente, estando ocupada com o Santo Padre. Desfilávamos diante dele, cada romeiro se ajoelhava, beijava o pé e a mão de Leão XIII, recebia sua bênção e dois guardas o tocavam para indicar-lhe que se levantasse (o romeiro, pois explico-me tão mal que se poderia pensar que fosse o Papa). Antes de subir ao apartamento pontifício, eu estava muito resolvida a falar, mas senti minha coragem falhar vendo à direita do Santo Padre "o padre Révérony!..." Quase no mesmo instante, disseram-nos, da parte dele, que proibia falar com Leão XIII, pois a audiência estava se prolongando demais... Virei para minha querida Celina a fim de consultá-la: "Fala", disse-me ela. Um instante depois, eu estava aos pés do Santo Padre. Tendo eu beijado sua sandália, ele me apresentou a mão. Em vez de beijá-la, pus as minhas e, levantando para o rosto dele meus olhos banhados em lágrimas, exclamei: "Santíssimo Padre, tenho um grande favor para pedir-vos!..." Então, o Soberano Pontífice" inclinou a cabeça de maneira que meu rosto quase encostou no dele e vi seus olhos pretos e profundos fixarem-se sobre mim e parecer penetrar-me até o fundo da alma. "Santíssimo Padre", disse, "em honra do vosso jubileu, permitai que eu entre no Carmelo aos 15 anos!..." Sem dúvida, a emoção fez tremer a minha voz e, virando-se para o padre Révérony, que me olhava surpreso e descontente, o Santo Padre disse: "Não compreendo muito bem". Se Deus tivesse permitido, teria sido fácil para o padre Révérony obter para mim o que eu desejava, mas era a cruz e não a consolação que Ele queria me dar. "Santíssimo Padre", respondeu o vigário-geral, "é uma criança que deseja ingressar no Carmelo aos 15 anos, mas os superiores examinam a questão neste momento." "Então, minha filha", respondeu o Santo Padre, olhando-me com bondade, "fazei o que os superiores vos disserem." Apoiando minhas mãos sobre seus joelhos tentei um último esforço e disse com voz suplicante: "Oh! Santíssimo Padre, se dissésseis sim, todos estariam a favor!..." Ele olhou-me fixamente e pronunciou as seguintes palavras, destacando cada sílaba: "Vamos... Vamos... Entrareis se Deus quiser..." Sua acentuação tinha alguma coisa de tão penetrante e de tão convincente que tenho impressão de ouvi-lo ainda. A bondade do Santo Padre me animava e eu queria falar mais, mas os dois guardas tocaramme polidamente para fazer-me levantar. Vendo que isso não era suficiente, seguraram-me pelos braços e o padre Révérony os ajudou a levantar-me, pois ainda estava com as mãos juntas, apoiadas nos

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