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História de uma Alma

Santa Teresinha do Menino Jesus (Tradução de 1906)

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Parece que não me saí bem no modo de queixar-me, pois nunca pude convencê-las de ter sido dor de cabeça que me fizera chorar. Em vez de me afagarem, falaram comigo como se fala com gente grande. De sua parte, Joana me censurou por não confiar bastante na Titia, por julgar que eu estava às voltas com algum escrúpulo de consciência... Afinal, aprendi à própria custa, tomand o a firme resolução de não imitar mais os outros, e entendi a fábula de "O asno e o cachorrinho"". Eu representava o asno que, vendo as carícias que se faziam ao cachorrinho, ergueu a pesada pata sobre a mesa, para receber seu quinhão de beijos. Mas, ai! se não levei pancadas, como o pobre animal, recebi realmente a moeda de minha paga, moeda que me curou, por toda a vida, do prurido de atrair a atenção. Só o esforço que nisso apliquei, custou-me caro demais!... No ano seguinte, que era o da partida de minha querida Madrinha, Titia ainda me convidou, mas desta vez a mim sozinha, mas tão desambientada fiquei que, ao cabo de dois ou três dias adoeci, e foi preciso que me fizessem voltar para Lisieux. Minha doença, que temiam como grave, não passava de uma nostalgia dos Buissonnets. Mal pus os pés ali, voltou a saúde... E a essa criança, ia o Bom Deus arrebatar-lhe o único apoio que a prendia à vida! ... Logo que soube da resolução de Maria, resolvi não mais procurar nenhum prazer na terra... Depois que saí do pensionato, alojei-me no antigo gabinete de pintura de Paulina, e arrumei-o a meu gosto. Era um verdadeiro bazar, um aglomerado de coisas piedosas e curiosidades, uma jardineira e um viveiro de passarinhos... Assim, também, na parede do fundo, sobressaíam uma grande cruz de madeira preta, sem o corpo de Cristo, e alguns desenhos que me agradavam. Na outra parede, uma cesta guarnecida de musselina e fitas cor-de-rosa, cheia de folhinhas picadas e de flores. Afinal, na última parede, salientava-se, como peça única, o retrato de Paulina aos 1O anos de idade. Debaixo do retrato, conservava eu uma mesa, onde se achava uma grande gaiola, que comportava grande número de passarinhos, cujos melodiosos trinados atordoava a cabeça dos visitantes, mas não a de sua jovem proprietária, que lhes tinha grande afeição... Ali havia ainda o "pequeno traste branco", cheio de meus livros de estudo, de cadernos etc. Em cima do traste estava colocada uma estátua da Santíssima Virgem, com vasos sempre providos de flores naturais, com castiçais. Em derredor, havia uma multidão de estatuetas de Santos e Santas, certinhos feitos de conchas, caixa de cartolina, etc! Afinal, minha jardineira ficava suspensa diante da janela, onde eu cultivava vasos de flores (os mais

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