raros que podia encontrar). No interior do "meu museu" havia ainda uma jardineira, sobre a qual punha minha planta predileta... Diante da janela, minha mesa coberta com um tapete verde, e sobre esse tapete coloquei, no meio, uma ampulheta, uma estatueta de São José, um porta-relógio, corbelhas para flores, um tinteiro etc... Algumas cadeiras mancas e a fascinante caminha de boneca de Paulina completavam todo o meu mobiliário. Realmente, esse pobre quarto de sótão era um mundo para mim, e como o Sr. De Maistre poderia eu escrever um livro com o título: "Passeio em torno do meu quarto". Gostava de permanecer horas inteiras nesse quarto, a estudar e a meditar diante do panorama que se descortinava aos meus olhos ... Quando eu soube da partida de Maria, meu quarto perdeu para mim todo o encanto. Não queria abandonar um só instante a querida irmã que dentro em breve se subtrairia à nossa convivência ... Quantos atos de paciência não a obriguei a praticar! Todas as vezes que passava diante da porta de seu quarto, batia até que ela abrisse, e abraçava-a de todo o coração. Queria fazer provisão de beijos por todo o tempo que ficaria sem eles. Um mês antes de sua entrada no Carmelo, Papai levou-nos a Alençon, mas a viagem ficou longe de assemelhar-se à primeira, porque tudo se me converteu em tristeza e amargura. Não poderia descrever as lágrimas que derramei junto ao túmulo de Mamãe, por ter esquecido de levar um ramalhete de centáureas, colhidas para ela. Na verdade, acabrunhava-me com qualquer coisa! Era ao contrá- rio de agora, pois o Bom Deus concedeu-me a graça de me não abater com nenhuma coisa passageira. Quando recordo os tempos idos, minha alma transborda de gratidão vendo os favores que recebi do Céu. Operou-se tal mudança em mim que não sou reconhecível... Verdade é que eu desejava ter "sobre minhas ações um domínio absoluto, ser a dona, não a escrava"'. Essas palavras da Imitação comoviam-me profundamente, mas devia, por assim dizer, comprar essa graça inestimável pelos meus desejos; ainda parecia uma criança que só quer o que os outros querem. O que fazia as pessoas de Alençon dizerem que eu era fraca de caráter... Foi durante essa viagem que Leônia fez experiência nas clarissas". Fiquei triste com sua entrada extraordinária, pois amava-a muito e não pude beijá-la antes da partida. Nunca me esquecerei da bondade e do embaraço desse pobre paizinho quando veio anunciar-nos que Leônia já vestia o hábito das clarissas... Como nós, achava isso muito engraçado, mas não queria dizer nada, vendo quanto Maria estava descontente. Levou-nos ao convento, e lá senti um aperto no coração como nunca tinha sentido ao ver um mosteiro. Isso produziu em mim o efeito contrário do Carmelo, em que tudo dilatava minha alma... A vista das religiosas tampouco me encantou, e não fiquei tentada a permanecer no meio delas. A pobre
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