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História de uma Alma

Santa Teresinha do Menino Jesus (Tradução de 1906)

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relatei... Agora retomarei minha exposição, desde o ponto em que a tinha largado. Três meses após minha cura, Papai levou-nos em viagem a Alençon. Era a primeira vez que para lá voltava. Bem grande foi minha alegria rever os lugares onde vivera minha infância, e de poder principalmente rezar junto à sepultura de Mamãe, pedindo-lhe que sempre me proteja... O Bom Deus concedeu-me a graça de conhecer o mundo na medida suficientemente exata para o desprezar, e dele me conservar afastada. Poderia afirmar ter sido na minha permanência em Alençon que fiz minha primeira entrada no mundo. Em redor de mim, tudo era gozo e felicidade. Tornava-me alvo de festas, de mimos e admirações. Numa palavra, dentro de quinze dias, tive uma vida semeada só de flores... Não nego que tal vida tinha encantos para mim. Muita razão tem a Sabedoria em ponderar: "Porque a fascinação das frivolidades seduz até o espírito arredado do mal"'. Na idade de dez anos, o coração deixa-se facilmente embelezar. Por isso, considero como grande graça não ter ficado em Alençon. Os amigos que ali tínhamos eram muito dados ao mundo, sabiam aliar demais as alegrias da terra com o serviço de Deus. Não pensavam bastante na morte, e no entanto veio a morte visitar grande número de pessoas, minhas conhecidas, jovens, ricas e felizes!!! Gosto de volver em pensamento aos lugares encantados, onde elas viveram, e de perguntar a mim mesma onde estão, o que usufruem dos castelos e dos parques, donde as vi gozarem as comodidades da vida?... E vejo que debaixo do Sol tudo é vaidade e aflição de espírito. . . que o único bem consiste em amar a Deus de todo o coração e ser pobre de espírito aqui na terra... Jesus quis, talvez, mostrar-me o mundo antes da primeira visita que estava para me fazer, a fim de que eu com mais liberdade escolhesse o caminho que lhe prometeria seguir. A época de minha Primeira Comunhão ficou gravada no coração como uma lembrança sem penumbras. Parece-me, não podia estar mais bem disposta do que estava. Além do mais, meus sofrimentos espirituais deixaram-me em sossego durante quase um ano. Queria Jesus fazer-me gozar de uma alegria tão perfeita, quanto possível neste vale de lágrimas... Lembrai-vos, minha querida Madre, do maravilhoso livrinho que fizestes para mim, três meses antes da minha Primeira Comunhão?... Foi o que me ajudou a preparar o coração de uma maneira contínua e rápida. Pois, se desde muito já o vinha preparando, era bem necessário dar-lhe novo impulso, enchê-lo de novas flores, para que nele pudesse Jesus repousar com alegria... Praticava diariamente grande número de piedosos exercícios, que constituíam outras tantas flores. Fazia número

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