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História de uma Alma

Santa Teresinha do Menino Jesus (Tradução de 1906)

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uma das mais vivas impressões que me incitavam à prática da virtude... Ficava horas esquecidas a contemplá-las. A Florzinha do Divino Prisioneiro, por exemplo, falava-me de tantas cousas, que me deixavam embevecida. Vendo o nome de Paulina escrito na parte de baixo da florzinha, queria que o de Teresa também o fosse, e oferecia-me a Jesus para ser sua florzinha... Se não sabia brincar, gostava muito de ler, e nisso levaria minha vida. Por sorte, para me guiarem, havia anjos da terra, que para mim selecionavam livros que me distraíssem e ao mesmo tempo me alimentassem o espírito e o coração. Depois só devia aplicar certo tempo na leitura, o que me impunha grandes sacrifícios, interrompendo às vezes minha leitura no meio do trecho mais empolgante... O atrativo pela leitura durou até minha entrada para o Carmelo. Não poderia indicar o número de livros que me passaram pelas mãos. Mas, o Bom Deus nunca permitiu que lesse um só deles, capaz de me prejudicar. Verdade é, na leitura de certas histórias de cavalaria, nem sempre apanhava desde logo o lado autêntico da vida. O Bom Deus, porém, de pronto me fazia intuir que a verdadeira glória é a que dura eternamente, não havendo, para sua consecução, necessidade de realizar obras aparatosas, mas de esconder-se e praticar a virtude, de molde a não saber a mão esquerda o que faz a direitas... Foi assim que, lendo a narração dos feitos patrióticos de heroínas francesas, mormente da Venerável JOANA D'ARC, sentia grande desejo de imitá-las. Perecia verificar em mim o mesmo ardor, de que estavam animadas, a mesma inspiração celestial. Recebi, então, uma graça que sempre tomei como uma das maiores de minha vida, pois nessa idade não recebia, como agora, as luzes em que estou imersa. Cuidava que nascera para a glória, e como procurasse um meio de alcançá-la, o Bom Deus inspirou-me os sentimentos que acabo de descrever. Fez-me, outrossim, compreender que minha glória característica não apareceria aos olhos dos mortais, consistiria em tornar-me grande Santa!!!... Poderia tal desejo parecer temeridade, tomando-se em consideração quanto era fraca e imperfeita, e quanto ainda o sou, depois de passar sete anos em religião. Muito embora, sinto sempre a mesma audaciosa confiança de tornar-me grande Santa, pois não conto com meus méritos, por não ter nenhum, mas espero em Aquele que é a Virtude, a própria Santidade. Só Ele é que, cingindo-se aos meus débeis esforços, me elevará a Si próprio, e, cobrindo-me com seus méritos infinitos, fará de mim uma Santa. Não calculava, então, que seria preciso sofrer muito para chegar à santidade. O Bom Deus não tardou em mo demonstrar, quando enviou as provações que mais acima

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