← Índice

História de uma Alma

Santa Teresinha do Menino Jesus (Tradução de 1906)

Página 38 de 150
📖 Página 38

um momento muito venturoso... Havia tanta cousa por dizer, que não pude absolutamente falar nada. O coração estava cheio demais... A bondosa Madre Maria de Gonzaga ali estava também, e dava-me mil demonstrações de afeto. Vi ainda outras freiras, diante das quais me inquiriram a respeito da graça que recebera, e quiseram saber de mim, se a Santíssima Virgem trazia ao colo o Menino Jesus, ou também se havia muita luminosidade etc. Todas essas perguntas me conturbaram e atormentaram. Só podia declarar uma cousa: "A Santíssima Virgem pareceu-me muito linda... e eu a vi sorrir para mim". Foi sua simples figura que me impressionara, razão por que me parecia ter mentido (meus tormentos espirituais acerca de minha doença já tinham começado), ao verificar que em seu íntimo as carmelitas imaginavam cousa muito diferente... Não padece dúvida, tivesse guardado meu segredo, teria também guardado minha felicidade, mas a Santíssima Virgem permitiu tal tormento para o bem de minha alma. Sem ele, teria talvez algum pensamento de vaidade. Quando, pelo contrário, a humilhação se tornou minha partilha, não podia considerar a mim mesma senão com sentimento de profunda aversão... Oh! só no Céu poderei revelar o quanto sofri! ... Por falar em visitas às carmelitas, lembro-me da primeira, pouco após a entrada de Paulina. Esqueceu-me falar disto, mas trata-se de um detalhe que não posso deixar de lado. Na manhã do dia em que devia dirigir-me ao parlatório, estando a refletir sozinha na cama (pois ali fazia minhas orações mais recolhidas, e sempre encontrava meu BemAmado, ao contrário do que acontecia à esposa dos Cantares), perguntava-me qual seria meu nome no Carmelo. Sabia que lá existia uma Irmã Teresa de Jesus. Apesar disso, meu belo nome de Teresa não me podia ser tirado. De repente, pensei no Menino Jesus a quem tanto amava e disse para mim mesma: "Oh! Como seria feliz em ser chamada de Teresa do Menino Jesus!" Nada disse no parlatório do sonho que tivera acordada, mas essa boa Madre M. de Gonzaga, perguntando para as irmãs qual o nome que deveria usar, veio-lhe à mente chamar-me pelo nome que eu tinha sonhado... Minha alegria foi grande e esse feliz encontro de pensamento pareceu-me uma delicadeza do meu BemAmado Menino Jesus. Esqueci mais alguns detalhes da minha infância antes do meu ingresso no Carmelo. Não vos falei do meu gosto pelas estampas e pela leitura... No entanto, minha querida Madre, às belas estampas que me mostráveis, como recompensa, devo uma das mais doces alegrias e

💡 Sobre esta página

Informações adicionais serão incluídas em breve.