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História de uma Alma

Santa Teresinha do Menino Jesus (Tradução de 1906)

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bom resultado e passei a ficar boazinha enquanto dormia...Havia ainda outro defeito que tinha (quando acordada) e do qual mamãe não fala em suas cartas. Era um grande amor-próprio. Disso vos darei apenas dois exemplos a fim de não alongar demais minha narração. – Mamãe disse-me um dia: - "Minha Teresinha, se te prontificares a beijar o chão, dar-te-ei um cinco centavos". Para mim cinco centavos eram uma verdadeira fortuna. Para o ganhar, não me era necessário diminuir minha altura, pois meu pequeno porte não constituía grande distância entre mim e o chão. Minha altivez, no entanto, se revoltou com a idéia de "beijar o chão". Mantendo-me bem empertigada, digo à mamãe: - "Oh! não, minha mãezinha, prefiro ficar sem os cinco centavos..." De outra feita tínhamos de ir até Grogny à casa da Sra. Monnier. Mamãe falou à Maria me pusesse o lindo vestido tido azul celeste, com guarnição de rendas, mas não me deixasse com os braços nus, para não se queimarem ao sol. Deixei que me vestissem com aquela displicência que deveria ser própria de crianças com a minha idade; mas, interiormente, pensava que teria ficado muito mais graciosa com meus bracinhos nus. Com uma índole como a minha, se fosse criada por pais carentes de virtude, ou até se fosse como Celina mimada por Luísa, ter-me-ia tornado bem maldosa e talvez me tivesse perdido ... Mas Jesus olhava pela sua esposinha. Quis que tudo redundasse para o bem dela. Seus próprios defeitos, refreados a tempo, serviram-lhe para crescer na perfeição.. . Tendo amor-próprio e também amor do bem, tão logo comecei a pensar com sisudez (o que fiz desde pequenina) bastava dizerem-me que alguma cousa não ficava bem, para que não precisasse ouvi-lo dizer duas vezes... Nas cartas de Mamãe vejo, com satisfação, que na medida que ia ficando maior lhe proporcionava mais consolo. Não tendo em redor de mim senão bons exemplos, era natural que os quisesse seguir. Veja-se o que ela escrevia em 1876: - "A própria Teresa que por vezes quer pôr-se a marcar suas práticas religiosas"... É uma criança encantadora, sutil como a sombra, muito vivaz, mas seu coração é sensível. Celina e ela querem-se muito, bastam as duas para se entreterem. Todos os dias, depois de terem almoçado, Celina vai buscar seu galinho, pega ao mesmo tempo a galinha para Teresa. Por mim não o consigo, mas ela é tão ágil que lhe deita a mão no primeiro bote. Depois cão as duas com as aves sentar-se no canto da lareira e assim se distraem por muito tempo. (Foi Rosinha que me fizera presente da galinha e do galo. Eu tinha dado o galo à Celina). Outro dia Celina deitara comigo. Teresa deitara na cama de Celina no segundo andar. Tinha instado com Luísa. a trouxesse para baixo, a fim de lhe porem o vestido. Luísa sobe para a buscar, encontra a cama vazia.

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