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História de uma Alma

Santa Teresinha do Menino Jesus (Tradução de 1906)

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Teresa tinha ouvido Celina e descera com ela. Luísa lhe diz: "- Não queres, pois, descer para te vestires?" - "Oh! não, pobre de minha Luísa, somos como as duas franguinhas, não podemos separar-nos!" Enquanto assim diziam, abraçavam-se e aconchegavam-se uma a outra... Depois, à noite, Luísa, Celina e Leônia foram ao círculo católico e deixaram a pobre Teresa, que bem compreendia ser muito pequena para ir junto. Dizia: - "Se pelo menos quisessem deitar-me na cama de Celina!"... Mas, não, não o quiseram... Nada falou e sozinha ficou com sua lamparina. Um quarto de hora depois dormia a sono solto... " Outro dia Mamãe ainda escreveu: "Celina e Teresa são inseparáveis. Não é possível pôr os olhos em duas crianças que se queiram tanto uma a outra. Quando Maria vem buscar Celina para a lição, a coitada da Teresa se desfaz em pranto. Ai! que acontecerá com ela, sua amiguinha vai deixá-la... Maria fica com dó, leva-a também e a pobre pequerrucha permanece sentada numa cadeira duas ou três horas. Dão-lhe pérolas para enfiar ou um retalho para coser. Tem receio de mexer-se e, de vez em quando solta fortes suspiros. Quando a agulha se desenfia, tenta enfiá-la de novo. É interessante observá-la como não o pode conseguir e não quer dar trabalho a Maria. Sem demora, a gente vê duas grossas lágrimas correrem-lhe pelas faces ...Maria não tarda em consolá-la, torna a enfiar a agulha, e o pobre anjinho sorri através de suas lágrimas..." Lembra-me, com efeito, que não podia ficar sem Celina. Preferia sair da refeição antes de terminar a sobremesa, do que não lhe ir atrás, tão logo se levantasse. Virava-me em minha cadeira alta, a pedir que me descessem, e depois íamos brincar juntas. Íamos às vezes com a pequena "prefeita", o que muito me agradava por causa do parque e de todos os lindos brinquedos que ela nos mostrava, mas era mais na intenção de contentar Celina que ia para lá, preferindo quedar-me em nosso pequeno jardim a esgaravatar os muros, pois extraíamos todas as faiscantes palhetinhas que ali se achavam e íamos em seguida vendêlas ao Papai que no-las comprava com toda a seriedade. No domingo, sendo muito pequena para freqüentar os ofícios religiosos, Mamãe ficava para tomar conta de mim. Comportava-me bem e só andava na ponta dos pés durante o tempo da missa. Logo, porém, que visse a porta abrir-se, era sem igual a explosão de alegria. Precipitavame ao encontro de minha linda irmãzinha que estava então "enfeitada como um oratório" . . . e dizia-lhe: "Oh! minha Celininha, dá-me depressa pão bento!" Algumas vezes não o tinha, porque havia chegado atrasada... Que fazer então? Era-me impossível ficar sem ele. Nisso consistia "fuinha missa"... Encontrou-se um meio com muita rapidez. -

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