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História de uma Alma

Santa Teresinha do Menino Jesus (Tradução de 1906)

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"Se não tens pão bento, pois então benze-o!" Dito e feito. Celina toma uma cadeira, abre o armário da parede, pega o pão, corta um bocado, sobre o qual, muito compenetrada, recita uma Ave-Maria, e apresentamo em seguida. E eu, depois de [ter] feito com ele o sinal da Cruz, como-o com grande devoção, achando-lhe, absolutamente, o gosto de pão bento... De vez em quando fazíamos juntas conferências espirituais: Aqui está um exemplo que tiro das cartas de Mamãe: - "Nossas queridas pequenas Celina e Teresa são anjos abençoados, naturezas angélicas em miniatura. Teresa constitui a alegria, a felicidade de Maria e sua glória; é incrível como se orgulha disso. Verdade é que tem saídas bem singulares para sua idade. De longe ultrapassa Celina, que tem o dobro da idade dela. Dizia Celina outro dia: - "Como pode Deus caber em hóstia tão pequena?" Falou a pequena: "Não é tanto de admirar, uma vez que Deus é todo-poderoso". - "Que quer dizer Todo-poderoso?" - "É fazer tudo o que Ele quer!." Um dia, julgando-se muito crescida para brincar com boneca, Leônia veio procurar-nos a nós duas com uma cesta cheia de vestidos e de lindos retalhos para fazer outros; por cima estava colocada sua boneca. - "Tomai lá, minhas irmãzinhas, diz-nos ela, escolhei, dou-vos tudo isto". Celina estendeu a mão e tomou um pacotinho de alamares que lhe agradava. Após um instante de reflexão, estendi a mão por minha vez e declarei: - "Escolho tudo!" e apoderei-me da cesta sem outra formalidade. As testemunhas da cena acharam o caso muito justo, a própria Celina nem pensou em reclamar. (Aliás; brinquedos não lhe faltavam, seu padrinho cumulava-a de presentes e Luísa descobria meios de arrumar-lhe tudo quanto desejasse). Este pequeno episódio de minha infância é o apanhado de toda a minha vida. Mais tarde, quando se me tornou evidente o que era perfeição, compreendi que para se tornar santa era preciso sofrer muito, ir sempre atrás do mais perfeito e esquecer-se a si mesmo. Compreendi que na perfeição havia muitos graus e que cada alma era livre no responder às solicitações de Nosso Senhor, no fazer muito ou pouco por Ele, numa palavra, no escolher entre os sacrifícios que exige. Então, como nos dias de minha primeira infância, exclamei: "Meu Deus, escolho tudo". Não quero ser santa pela metade. Não me faz medo sofrer por vós, a única cousa que me dá receio é a de ficar com minha vontade. Tomai-a vós, pois "escolho tudo" o que vós quiserdes!. . . " É forçoso que pare, pois não devo ainda falar-vos de minha juventude, mas da estouvadinha aos quatro anos de idade. Lembro-me de um

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