boas festas que Maria e Paulina davam às suas filhinhas, não eram de grande valor, mas também lhes proporcionavam grande alegria... Oh! naquela idade não éramos enfaradas. Nossa alma expandia-se em toda a sua frescura, como uma flor que é feliz por receber o orvalho da manhã... a mesma aragem balouçava nossas corolas, e o que para uma fosse motivo de alegria ou de mágoa, sê-lo-ia ao mesmo tempo também para a outra. Com efeito, nossas alegrias eram em comum. Bem o percebi no belo dia da primeira Comunhão de minha querida Celina. Só tendo sete anos, ainda não freqüentava a Abadia, mas conservei no coração a gratíssima lembrança da preparação que vós, minha querida Mãe, ministrastes à Celina. Todas as tardes, vós a tomáveis aos joelhos, e com ela conversáveis sobre o grande ato que ia praticar. Eu cá escutava, muito desejosa de preparar-me também, mas freqüentemente me dizíeis que fosse embora, por ser ainda muito pequena. Sentia então um desgosto muito grande, pensando comigo que quatro anos não eram demais como preparação para receber o Bom Deus... Uma noite, escutei-vos falar que, feita a primeira Comunhão, se devia começar vida nova. Resolvi, imediatamente, a não esperar por esse dia, mas começá-la ao mesmo tempo que Celina... Nunca sentira tanto que a amava, como vim a senti-lo durante seu retiro de três dias. Pela primeira vez na vida, estava longe dela e não dormia em sua cama... No primeiro dia, esquecida de que não ia voltar, guardei uma mão-cheia de cerejas para as comer com ela. Quando percebi que não chegava, fiquei muito pesarosa. Papai consolou-me com a declaração de que no dia seguinte me levaria até a Abadia para visitar minha Celina, e que eu lhe daria outra mão-cheia de cerejas! ... O dia da Primeira Comunhão de Celina deixou-me uma impressão semelhante à que tive na minha própria. Ao despertar de manhã, sozinha, na cama grande, senti-me inundada de alegria. "É hoje! ... Chegou o grande dia..." Não me cansava de repetir estas palavras. Parecia-me que era eu quem ia fazer minha Primeira Comunhão. Creio ter recebido grandes graças nesse dia, e considero-o como um dos mais belos de minha vida... Voltei um pouco a fim de recordar essa deliciosa e suave passagem. Devo, agora, falar da dolorosa provação que veio partir o coração de Teresinha, quando Jesus lhe arrebatou a querida mamãe, a sua Paulina, tão afetuosamente amada! ... Um dia dissera à Paulina que queria ser solitária, partir com ela para um deserto longínquo. Deu-me por resposta que meu desejo era também o seu, e que esperaria até que eu fosse bastante grande para a partida. Isto, sem dúvida, não fora dito seriamente, mas Teresinha tinha-o levado a sério. Por conseguinte, qual não foi sua dor ao ouvir, um dia,
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