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História de uma Alma

Santa Teresinha do Menino Jesus (Tradução de 1906)

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Posso afiançar que minha querida maninha jamais me causou desgosto, mas foi para comigo como que um raio de sol, sempre a alegrar-me e a consolar-me... Quem descreveria a intrepidez com que tomava minha defesa na Abadia, quando me acusavam?... Tão grande era seu cuidado pela minha saúde, que por vezes me importunava. O que não me enfadava era observá-la, quando brincava. Punha em certa ordem todo o magote de nossas bonequinhas, e dava-lhes aula como uma mestra competente. Só que dava um jeito de serem suas filhas sempre bem comportadas, enquanto que as minhas eram, muitas vezes, expulsas da classe, por mau comportamento... Falava-me de todas as cousas novas que vinha aprendendo na classe, o que muito me entretinha, considerando-a um poço de ciência. Haviam-me apelidado "filhinha de Celina". Por isso, quando ela estava descontente comigo, seu maior sinal de aborrecimento era declarar-me: "Já não és minha filhinha. Acabou-se. Disso nunca esquecerei. . . " Então só me restava chorar como Madalena, suplicando-lhe ainda me considerasse sua filhinha. Logo me abraçava e prometia-me de já não se lembrar de nada... Para me consolar, tomava uma de suas bonecas e dizia-lhe: "Minha querida, dá um abraço em tua tia". Certa ocasião, a boneca foi tão ardorosa em abraçar-me com carinho, que me enfiou os dois bracinhos pelo nariz... Celina, que não o fizera de caso pensado, olhava espantada... para mim com a boneca suspensa ao nariz. A tia não levou muito tempo em se desfazer dos abraços por demais carinhosos de sua sobrinha, e desatou a rir, gostosamente, de tão singular aventura. O mais divertido era ver-nos comprar juntas nossos presentes de boasfestas no bazar. Cuidávamos de ficar escondidas uma da outra. Dispondo de 10 soldos para gastar, precisávamos pelo menos de 5 ou 6 objetos diferentes, e tratava-se de ver quem compraria as cousas mais bonitas. Encantadas com nossas aquisições, aguardávamos com impaciência o primeiro dia do ano, a fim de oferecermos, uma à outra, nossos grandiosos presentes. Quem acordasse antes da outra, apressava-se em lhe desejar feliz ano novo, e logo nos dávamos uma à outra os presentes de boas-festas. Cada qual de nós ficava extasiada com as preciosidades, que se vendiam por 10 soldos! ... Estes mimos nos causavam quase tanto prazer quanto os lindos presentes de boas-festas que vinham de Titio. Isto, aliás, era apenas o começo das alegrias.. Naquele dia, vestíamo-nos num instante, e cada qual se punha à espreita para saltar ao pescoço de Papai. Logo que ele saísse do quarto, eram gritos de alegria por toda a casa, e nosso bom Paizinho mostrava-se feliz por nos ver tão contentes ... Os presentes de

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