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História de uma Alma

Santa Teresinha do Menino Jesus (Tradução de 1906)

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sua querida Paulina falar com Maria de sua próxima entrada no Carmelo... Não sabia o que era Carmelo, mas entendia que Paulina me deixaria para entrar em convento. Entendia que não esperaria por mim, e que eu perderia minha segunda Mãe! ... Oh! Como descrever a angústia do meu coração? ... Compreendi num instante o que era a vida. Até ali não a tinha visto tão tristonha, mas então se me deparou em toda a sua realidade. Vi que não era senão sofrimento e separação contínua. Bem amargas as lágrimas que derramei, pois ainda não compreendia o gozo do sacrifício. Era fraca, tão fraca, que tomo por grande graça ter podido suportar uma provação que parecia colocar-se muito acima de minhas forças... Se ficasse sabendo, aos poucos, da partida de minha querida Paulina, talvez meu sofrimento não fora tanto. Mas, tê-lo sabido de surpresa foi como se uma espada se me cravasse no coração. Sempre me lembrarei, minha querida Mãe, com que ternura me consolastes. Depois, explicastes-me a vida do Carmelo, que me pareceu muito bonita! Rememorando tudo o que me dissestes, senti dentro de mim ser o Carmelo o deserto onde o Bom Deus queria que fosse também esconder-me... Senti-o com tanta veemência que não tive a mínima dúvida no coração. Não era um devaneio de criança que se deixa levar, mas a certeza de um chamado divino. Queria eu ir para o Carmelo, não por causa de Paulina, mas por Jesus tão somente... Pensei muitas coisas que se não podem exprimir por palavras, mas que me deixaram grande paz na alma... No dia seguinte, confiei meu segredo à Paulina. Tomando meus desejos como vontade do Céu, disse-me que eu iria logo com ela visitar a Madre Priora do Carmelo, e precisava dizer-lhe o que o Bom Deus me fazia sentir ... Escolheu-se um domingo para a solene visita. Grande foi meu acanhamento, ao saber que Maria G. ficaria junto a mim, por ser eu muito pequena para visitar as Carmelitas. Entretanto, precisava descobrir um meio de estar sozinha. Eis a idéia que me ocorreu. Disse à Maria que, tendo o privilégio de visitar a Madre Priora, devíamos ser muito atenciosas e delicadas. Por isso, tínhamos de confiar-lhe nossos segredos. Portanto, cada qual, por sua vez, sairia um instante e deixaria a outra sozinha. Maria acreditou no que eu dizia, e a despeito de sua relutância em confiar segredos que não possuía, permanecemos, uma após outra, sozinha junto à nossa Madre. Tendo ouvido minhas grandes confidências, essa boa Madre acreditou em minha vocação. Declaroume, todavia, que não eram recebidas postulantes de nove anos, e seria preciso aguardar meus dezesseis anos... Resignei-me, não obstante meu vivo desejo de entrar o mais cedo possível, e de fazer minha Primeira Comunhão no dia que Paulina tomasse o hábito... No mesmo

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