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História de uma Alma

Santa Teresinha do Menino Jesus (Tradução de 1906)

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esquecerei a impressão que o mar me causou. Não podia coibir-me de contemplá-lo sem interrupção. Sua majestade, o bramir das ondas, tudo me falava à alma a respeito da Grandeza e do Poder do Bom Deus. Recordo-me de que, no passeio que fazíamos pela praia, um senhor e uma senhora, como me vissem a correr alegre em redor do Papai, aproximaram-se e perguntaram-lhe se eu era dele, dizendo que era uma menininha muito graciosa. Respondeu-lhes Papai que sim, mas notei que lhes deu sinal para não me elogiar... Era a primeira vez que ouvia dizer que eu era graciosa. Isto me deixou bem contente, pois não supunha que o fosse. Vós tomáveis, minha querida Mãe, tanta precaução em não permitir, junto a mim, nada que pudesse comprometer minha inocência, principalmente em não me deixar ouvir alguma palavra que insinuasse vaidade em meu coração. Como só dava atenção às vossas palavras e às de Maria (e de vossa parte nunca me dirigistes uma única lisonja), não liguei muita importância às palavras e aos olhares admirados da senhora. Ao entardecer, à hora que o sol parece banhar-se na imensidão das ondas, deixando atrás de si um sulco luminoso, ia sentar-me sozinha com Paulina no rochedo ... Então, acudia-me à lembrança a comovente história do "Sulco de ouro" Fiquei a contemplar longamente a esteira luminosa, imagem da graça a clarear a rota do barquinho de graciosa vela branca... Junto a Paulina, tomei a resolução de nunca distanciar minha alma do olhar de Jesus, a fim de que navegue tranqüila em direção da Pátria dos Céus! ... Minha vida deslizava tranqüila e feliz. A afeição de que era cercada nos Buissonnets, fazia-me crescer, por assim dizer, mas não havia dúvida de que já era bem desenvolvida, para começar a conhecer o mundo e as misérias de que anda cheio... Tinha meus oito anos e meio, quando Leônia deixou o internato, e tomei o lugar dela na Abadia. Ouvi dizer, muitas vezes, que o tempo passado em colégio é o melhor e o mais doce da vida. Para mim, não foi assim. Os cinco anos que ali passei foram os mais tristonhos da minha vida. Não tivesse comigo minha querida Celina, ali não poderia ter ficado um mês sequer, sem cair doente... A pobre florzinha estava habituada a lançar suas débeis raízes em terra de escol, feita sob medida para ela. Parecia-lhe, também, muito desagradável viver entre flores de toda espécie, com raízes freqüentemente pouco delicadas, e ver-se na obrigação de procurar em terra comum a seiva necessária para sua subsistência! ... Vós, porém, me instruístes tão bem, minha querida Mãe, que chegando

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