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História de uma Alma

Santa Teresinha do Menino Jesus (Tradução de 1906)

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recordações de infância, quando lembrei-lhe a visão que eu tivera na idade de 6 para 7 anos. De repente, relatando os pormenores dessa cena estranha, ambas compreendemos o que significava... Era papai, sim, que eu vira andando, curvado pela idade... Era ele carregando no seu rosto venerável, na sua cabeça branca, a marca da sua gloriosa provação... Como a Face Adorável de Jesus, velada durante sua Paixão, assim a face do seu fiel servo devia ficar velada nos dias dos seus sofrimentos, a fim de poder resplandecer na Pátria Celeste junto a seu Senhor, o Verbo Eterno!... Foi do seio dessa glória inefável onde reina no céu que nosso pai querido obteve para nós a graça de compreender a visão que sua rainhazinha tivera numa idade em que não é necessário temer a ilusão! Foi desde o seio da glória que obteve para nós esse doce consolo de podermos compreender que, dez anos antes da nossa grande provação, Deus no-la mostrou como um pai deixa seus filhos entreverem o futuro que lhes prepara e se compraz em considerar por antecipação as riquezas incalculáveis que lhes são destinadas... Ah! por que foi a mim que Deus deu essa luz? Por que mostrou a uma criança tão nova unia coisa que ela não podia compreender, uma coisa que, se a tivesse compreendido, a teria matado de dor, por quê?... Sem dúvida, esse é mais um daqueles mistérios que só compreenderemos no céu e que nos causará uma admiração eterna!... Como o Bom Deus é bom! ... Como põe as provações em exata equação com a forças que nos confere. Nunca, como acabo de afirmá-lo, poderia aturar a própria idéia dos amargos sofrimentos que o futuro me reservava... Sem frêmito não conseguia sequer pensar em que o Papai podia morrer... Certa vez trepara ele ao topo de uma escada de mão. Como me encontrava justamente por debaixo, gritou-me: "Arreda-te, pobre bichinho, se despencar, esmago-te''. Ao ouvir isso, tive uma reação interior. Em vez de afastar-me, apoiei-me contra a escada, pensando comigo: "Pelo menos, se o Papai cair, não terei a dor de vê-lo morrer, pois morrerei com ele". Não consigo externar quanto amava Papai. Tudo nele me causava admiração. Quando me explicava suas idéias (como se fora menina crescida), dizia-lhe com sinceridade que, por certo, se falasse tudo isso aos grandes homens do governo, tomalo-iam para o constituir Rei, e que então a França seria feliz como nunca o fora antes... No fundo, porém, alegrava-me (e disso me inculpava como de um pensamento egoísta) por não haver ninguém senão eu que conhecia bem Papai. Pois, se viesse a ser Rei de França e de Navarra, sabia que se daria por infeliz, porque tal é a sorte de todos os monarcas, e sobretudo porque já não seria o meu Rei, só para mim!... Tinha eu seis ou sete anos, quando Papai nos levou a Trouville. Jamais

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