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História de uma Alma

Santa Teresinha do Menino Jesus (Tradução de 1906)

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Nos primeiros clarões da aurora, encontrava-me, em sonho, numa espécie de galeria. Havia muitas outras pessoas, mas afastadas. Só nossa Madre estava perto de mim. De repente, sem ter percebido como tinham entrado, vi três carmelitas cobertas com suas capas e grandes véus. Pareceu-me que vinham encontrar nossa Madre; mas compreendi claramente que elas vinham do céu. Do fundo do meu coração, gritei: Ah! como ficaria feliz de ver, o rosto de uma dessas carmelitas. Nesse momento, como se minha oração tivesse sido ouvida por ela, a mais alta das santas aproximou-se de mim; caí de joelhos. Oh! felicidade. A carmelita levantou seu véu, ou melhor, o tirou e pôs sobre mim... Reconheci, sem a menor hesitação, a venerável Madre Ana de Jesus, fundadora do Carmelo na França. Tinha rosto bonito, de uma beleza imaterial, nenhum raio de luz saía dele. Contudo, apesar do véu que nos envolvia, via esse rosto celeste iluminado por uma luz incrivelmente suave, luz que não recebia, mas produzia por si mesmo... Não saberia expressar a alegria da minha alma. Essas coisas são sentidas e não exprimíveis... Muitos meses já se passaram desde esse doce sonho, mas a recordação que deixa em minha alma nada perdeu do seu frescor, dos seus celestes encantos... Ainda vejo o olhar e o sorriso cheios de amor da Venerável Madre. Parece-me sentir ainda as carícias que ela me fez. ... Vendo-me amada com tanta ternura, atrevi-me a dizer: "Ó Madre! suplico-vos, dizei-me se Deus me deixará ainda por muito tempo na terra... Virá Ele buscar-me logo?..." Sorrindo com ternura, a santa murmurou: "Sim, em breve, em breve... prometo-vos". "Madre", acrescentei, "dizei-me se Deus quer mais alguma coisa de mim além das minhas pobres pequenas ações e dos meus desejos. Ele está contente comigo?" O rosto da santa revestiu-se de uma expressão incomparavelmente mais terna do que na primeira vez que me falou. Seu olhar e suas carícias eram a mais doce das respostas. Disse-me, porém: "Deus não pede mais nada a vós, Ele está contente, contentíssimo!..." Após ter-me acariciado com amor maior do que o da mãe mais terna para um filho, vi-a afastar-se... Meu coração estava alegre, lembrei-me das minhas irmãs e quis pedir algumas graças para elas; aí... acordei!... Ó Jesus! a tempestade não rugia então. O céu estava calmo e sereno... acreditava, sentia haver um Céu e que esse Céu é povoado de almas que me querem bem, que me olham como filha delas... Essa impressão permanece em meu coração, tanto mais que a Venerável Madre Ana de Jesus era-me, até então, absolutamente indiferente. Nunca a tinha invocado e só pensava nela quando falavam dela, o que era raro.

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