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História de uma Alma

Santa Teresinha do Menino Jesus (Tradução de 1906)

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corações que se entregam a Ele sem reserva, que compreendem toda a ternura do seu Amor infinito. Irmã querida, como somos felizes por compreender os íntimos segredos do nosso Esposo. Ah! se quisestes escrever tudo o que sabeis a respeito, teríamos belas paginas para ler, tenho certeza, mas preferis conservar no fundo do vosso coração "os segredos do Rei", e a mim dizeis que "é bom guardar o segredo do rei, mas apregoar as obras de Deus é honroso". Considero que tendes razão em permanecerdes no silêncio e é unicamente para vos agradar que escrevo estas linhas, pois sinto minha incapacidade de expressar com palavras da terra os segredos do Céu e, depois de escrever páginas e mais páginas, ainda parecia não ter começado... Há horizontes tão numerosos e tão diversos, tantos matizes no infinito, que só a paleta do Pintor celeste poderá, depois da noite desta vida, fornecer-me as cores capazes de pintar as maravilhas que Ele põe diante do olho da minha alma. Minha irmã querida, pedistes para eu vos descrever meu sonho e "minha pequena doutrina", como a chamastes... Foi o que fiz nas páginas a seguir, mas tão mal que me parece impossível que compreendais. Achareis, talvez, minhas expressões exagera as... Ah! perdoai-me, isso deve ser atribuído a meu estilo pouco agradável. Asseguro-vos não haver exagero nenhum na minha alminha, que está tudo calmo e descansado... (Ao escrever, é a Jesus que falo, assim me é mais fácil expressar meus pensamentos... O que, ai! não impede que estejam mal expressos!) J.M.J.T.

de

(A

querida

Irmã

minha

setembro Maria

do

de

Sagrado

Coração.)

Ó Jesus, meu Bem-Amado! quem poderá descrever a ternura, a doçura com que conduzis minha alminha? Que agrado tendes em fazer brilhar o raio da vossa graça bem no meio da mais forte tempestade? ... Jesus, a tempestade rugia forte em minha alma desde a bonita festa do vosso triunfo, a radiosa Páscoa, quando, num sábado do mês de maio, pensando nos sonhos misteriosos que, às vezes, são concedidos a certas almas, estimava serem eles um consolo bem agradável, mas não os pedia. De noite, observando as nuvens que lhe encobriam o céu, minha alminha repetia que os belos sonhos não lhe eram destinados e, na tempestade, adormeceu... No dia seguinte, 10 de maio, segundo domingo do mês de Maria, talvez fosse aniversário do dia em que à Santíssima Virgem se dignou sorrir para sua florzinha...

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