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História de uma Alma

Santa Teresinha do Menino Jesus (Tradução de 1906)

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Papai fez-lhe diversas perguntas a respeito da peregrinação, inclusive sobre a maneira de se vestir para o encontro com o Santo Padre. Vejo-o ainda virando-se diante do padre Révérony, perguntando-lhe: "Estou bem assim?..." Dissera também a Sua Excelência que se não me permitisse ingressar no Carmelo eu pediria essa graça ao Soberano Pontífice. Meu Rei querido era muito simples nas suas palavras e nas suas maneiras, mas era tão bonito... tinha uma distinção natural que deve ter agradado muito a Sua Excelência, acostumado a se ver cercado de pessoas que conhecem todas as regras da etiqueta dos salões, mas não o Rei da França e de Navarra com sua rainhazinha... Uma vez na rua, minhas lágrimas brotaram de novo, não tanto por causa da minha dor, mas por ver meu paizinho querido que acabava de fazer uma viagem inútil... Planejara enviar uma resposta festiva ao Carmelo para anunciar a resposta de Sua Excelência, via-se de volta sem resposta... Ah! quanto sofri!... parecia-me que meu futuro estava abalado para sempre. Mais o tempo passava, mais as coisas ficavam confusas. Minha alma estava mergulhada na amargura, mas na paz, também, pois só procurava a vontade de Deus. Logo de volta a Lisieux, fui buscar consolo no Carmelo e o encontrei em vós, querida Madre. Oh, não! Nunca esquecerei tudo o que sofrestes por minha causa. Se não receasse profaná-las, servindo-me delas, repetiria as palavras que Jesus dirigia a seus apóstolos, na tarde da sua Paixão: "Vós sois aqueles que permanecestes ao meu lado nas minhas provações"... Minhas bem-amadas irmãs ofereceram-me também doces consolos... Três dias após a viagem a Bayeux, fazia outra muito maior, à cidade eterna... Ah! que viagem aquela!... Ela sozinha fez-me conhecer mais coisas que longos anos de estudo, mostrou-me a vaidade de tudo o que passa e que tudo é aflição de espírito sob o sol... Mas vi muitas coisas bonitas, contemplei todas as maravilhas da arte e da religião, sobretudo pisei a mesma terra que os santos apóstolos, a terra regada com o sangue dos mártires, e minha alma cresceu em contato com coisas santas... Estou muito feliz por ter ido a Roma, mas compreendo as pessoas de fora que pensaram que papai me levara a fazer essa grande viagem a fim de mudar minhas idéias sobre a vida religiosa; de fato, havia com que abalar uma vocação pouco firme. Não tendo vivido na alta sociedade, Celina e eu nos encontramos no meio da nobreza que compunha quase exclusivamente a romaria. Ah! longe de nos deslumbrar, todos esses títulos e esses "de" pareceram-

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