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História de uma Alma

Santa Teresinha do Menino Jesus (Tradução de 1906)

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novas dificuldades. Sua Excelência e todo o clero assistiam a um grande funeral. A igreja estava repleta de senhoras de luto e eu, com meu vestido claro e meu chapéu branco, era olhada por todos. Queria sair da igreja, mas não podia pensar nisso por causa da chuva. Para humilharme ainda mais, papai, com sua simplicidade patriarcal, fez-me subir na torre da catedral. Não querendo desagradá-lo, subi com boa vontade e propiciei esse divertimento aos bons habitantes de Bayeux, que teria desejado nunca ter conhecido... Enfim, pude respirar sossegada numa capela atrás do altar-mor e fiquei muito tempo lá, rezando com fervor, aguardando que a chuva parasse e nos fosse permitido sair. Ao descer, papai fez-me observar a beleza do edifício, que parecia muito maior agora que estava deserto. Porém, um único pensamento ocupava meu espírito e não podia me agradar com coisa alguma. Fomos logo procurar pelo padre Révérony, que sabia da nossa chegada por ter sido ele quem marcara o dia da viagem. Mas estava ausente. Fomos obrigados a vagar pelas ruas, que me pareceram muito tristes. Enfim, voltamos para perto da sede do bispado, e papai fez-me entrar num belo hotel onde não fiz honra ao hábil cozinheiro. O pobre paizinho era para comigo de uma ternura quase inacreditável, dizendo-me para não ficar triste, que logo o senhor bispo iria atender a meu pedido. Após um descanso, voltamos a procurar o padre Révérony; um senhor chegou ao mesmo tempo, mas o vigário-geral pediu-lhe polidamente para esperar e nos fez entrar primeiro no seu gabinete (o pobre senhor teve tempo de enfastiar-se, pois a visita foi demorada). O padre Révérony mostrou-se muito amável, mas creio que estranhou muito o motivo da nossa viagem. Depois de ter-me olhado sorrindo, dirigiu-me algumas perguntas e disse: "Vou apresentar-vos a Sua Excelência, tenhais a bondade de me acompanhar". Vendo as lágrimas brilharem nos meus olhos, acrescentou: "Ah! vejo diamantes... não deveis mostrá-los a Sua Excelência!"... Fez-nos atravessar muitos cômodos vastíssimos, enfeitados de retratos de bispos. Vendo-me nesses salões enormes, tinha impressão de ser uma formiguinha e me perguntava o que ia ousar dizer a Sua Excelência. Ele anda, entre dois cômodos, num corredor. Vi o padre Révérony dizer-lhe algumas palavras e voltar com ele. Aguardávamos no gabinete dele. Ali, três enormes poltronas estavam dispostas diante da lareira onde crepitava um fogo forte. Ao ver entrar Sua Grandeza, papai pôs-se de joelhos a meu lado para receber sua bênção. Indicou uma poltrona para papai sentar-se, colocou-se na frente dele e o padre Révérony indicou-me a do meio. Recusei polidamente, mas insistiu, dizendo que devia mostrar-me capaz de obedecer. Sentei-me logo sem fazer comentário e senti-me constrangida ao vê-lo pegar uma cadeira enquanto eu estava afundada numa poltrona onde quatro pessoas como eu cabiam folgadamente (mais à vontade do que eu, pois estava longe de me sentir folgada!...)

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