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História de uma Alma

Santa Teresinha do Menino Jesus (Tradução de 1906)

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melhor, minha alma parecia uma frágil embarcação entregue sem piloto à mercê de ondas tempestuosas... Sei, Jesus estava ali, dormindo na minha barquinha, mas a noite estava tão escura que não podia vê-lo, nada para iluminar, nem um relâmpago vinha rasgar as espessas nuvens... Luz bem triste a dos relâmpagos, mas se uma tempestade tivesse ocorrido eu teria conseguido ver Jesus por um instante... mas era noite, noite profunda da alma... como Jesus no Jardim da Agonia, sentia-me só, sem consolo, nem por parte da terra, nem do Céu. Deus parecia ter-me abandonado!!!... A natureza parecia tomar parte na minha amarga tristeza; durante esses três dias, o sol não liberou um único raio e a chuva caiu torrencialmente. Notei que em todas as circunstâncias graves da minha vida a natureza era imagem da minha alma. Nos dias de lágrimas, o Céu chorava comigo; nos dias de alegria, o Sol mandava com fartura seus alegres raios e o azul não comportava nenhuma nuvem... Enfim, no quarto dia, um sábado, dia consagrado à doce Rainha dos Céus, fui visitar meu tio. Que surpresa, vendo-o olhar-me e fazer-me entrar em seu escritório sem que eu lhe tivesse manifestado o desejo!... Começou por me censurar brandamente por parecer ter medo dele e disse-me não ser necessário pedir um milagre, que tinha apenas pedido a Deus que lhe desse "uma simples inclinação de coração" e fora atendido... Ah! não fui tentada a implorar por um milagre, para mim o milagre havia sido concedido. Meu tio havia mudado. Sem fazer alusão nenhuma à "prudência humana", disse-me que eu era uma florzinha que Deus queria colher e que não se oporia mais!... Essa resposta definitiva era verdadeiramente digna dele. Pela terceira vez, esse cristão de uma outra idade permitia que uma das filhas adotivas do seu coração fosse sepultar-se longe do mundo. Minha tia também foi admirável em ternura e prudência, não me lembro de, durante minha provação, ela ter dito uma palavra sequer que pudesse ter agravado minha tristeza. Via que tinha pena da sua pobre Teresinha. Por isso, depois que obtive a autorização do meu querido tio, deu-me a dela, mas não sem manifestar de mil maneiras que minha partida lhe causaria muita aflição... Ai! nossos queridos familiares estavam longe de pensar, então, que iriam renovar duas vezes ainda o mesmo sacrifício... Mas, ao estender a mão para pedir sempre, Deus não a oferecia vazia, seus mais queridos amigos puderam servir-se com fartura da força e da coragem de que tanto precisaram... Meu coração está me levando muito longe do meu assunto, volto quase a contragosto: depois da resposta de meu tio, compreendeis, Madre, com que alegria voltei aos Buissonnets debaixo do "belo céu, totalmente livre de nuvens!..." Na minha alma também a noite tinha ido embora, Jesus acordara e me devolvia a

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