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História de uma Alma

Santa Teresinha do Menino Jesus (Tradução de 1906)

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me como um santo e gostaria de lembrar-me das palavras dele a fim de escrevê-las aqui, mas conservei-as tão sublimadas que se tornaram intraduzíveis. O que recordo perfeitamente é da ação simbólica que meu rei querido cumpriu sem o perceber. Aproximando-se de um muro baixo, mostrou-me florzinhas brancas semelhantes a lírios em miniatura e, colhendo uma dessas flores, entregou-a a mim, explicando o cuidado com que Deus a fizera e a conservara até aquele momento; ouvindo-o falar, pensava ouvir a minha história, tal era a semelhança entre o que Jesus fizera a sua florzinha e a Teresinha... Recebi essa florzinha como uma relíquia e vi que, ao colhê-la, papai arrancara as raízes todas sem quebrar uma. Parecia destinada a viver ainda, numa outra terra, mais fértil que o tenro limo onde vivera suas primeiras manhãs... Era essa mesma ação que papai acabava de fazer para mim alguns instantes antes, permitindo-me subir a montanha do Carmelo e deixar o manso vale testemunho dos meus primeiros passos na vida. Coloquei minha florzinha branca na minha Imitação, no capítulo intitulado: "De que é preciso amar a Jesus acima de todas as coisas". Ainda está aí, mas o caule quebrou-se junto à raiz e Deus parece demonstrar com isso que quebraria em breve os laços da sua florzinha e não a deixaria murchar na terra! Após obter o consentimento de papai, pensava poder voar sem temor para o Carmelo, mas numerosos e dolorosos empecilhos iam ainda provar a minha vocação. Tremendo, anunciei a meu tio a resolução tomada. Ele me deu todas as mostras de ternura possíveis, mas não a permissão de partir. Pelo contrário, proibiu-me de lhe falar da minha vocação antes dos meus 17 anos. Era, dizia ele, contrário à prudência humana deixar uma menina de 15 anos ingressar no Carmelo. Aos olhos do mundo, essa vida de carmelita era vida de filósofo e seria grande prejuízo para a religião deixar uma criança sem experiência abraçá-la... Todos falariam disso etc, etc... Disse-me até que para decidi-lo a me deixar partir seria preciso um milagre. Vi logo que todos os raciocínios eram inúteis e retirei-me com o coração mergulhado na mais profunda amargura. Meu único consolo era a oração. Pedi a Jesus para fazer o milagre exigido, pois só por esse preço poderia responder ao pedido Dele. Passou-se um tempo bastante longo antes que eu ousasse falar novamente com meu tio. Custava-me muito ir à casa dele e ele parecia não mais pensar na minha vocação. Soube, mais tarde, que minha grande tristeza o influenciou muito a meu favor. Antes de fazer brilhar em minha alma um raio de esperança, Deus quis mandar-me um martírio muito doloroso que durou três dias. Oh! nunca compreendi tão bem como durante essa provação a dor da Santíssima Virgem e de são José procurando o divino Menino Jesus... Estava num triste deserto, ou

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