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História de uma Alma

Santa Teresinha do Menino Jesus (Tradução de 1906)

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homem, mas com o do coração) e, vendo que as recompensas eternas não tinham proporção alguma com os leves sacrifícios da vida, quis amar, amar Jesus com paixão, pedir-lhe mil marcas de amor, enquanto ainda podia... Copiei muitas passagens sobre o amor perfeito e a recepção que Deus deve fazer a seus eleitos no momento em que Ele próprio se tornará sua grande e eterna recompensa. Repetia sem parar as palavras de amor que haviam abrasado meu coração... Celina tornara-se a confidente íntima dos meus pensamentos; desde o Natal, podíamos nos compreender, a distância de idade não existia mais, pois eu me tornara grande em tamanho e, sobretudo, em graça... Antes dessa época, reclamava com freqüência por não conhecer os segredos de Celina. Dizia-me que eu era pequena demais, que precisaria crescer a altura de um banquinho para ela ter confiança em mim... Gostava de subir nesse precioso banquinho quando estava ao lado dela, e lhe dizia para falar-me intimamente, mas meu esforço era inútil, uma distância nos separava ainda!... Jesus queria fazer-nos avançar juntas e, por isso, formou em nossos corações laços ainda mais fortes que os do sangue. Tornou-nos irmãs de almas. Realizaram-se em nós essas palavras do Cântico de são João da Cruz (falando com o Esposo, a esposa exclama): "Seguindo vossas pegadas, as moças percorrem leves o caminho, o toque da centelha, o vinho condimentado fazem-nas produzir aspirações divinamente perfumadas". Sim, era com leveza que seguíamos as pegadas de Jesus, as centelhas do amor que semeava profusamente em nossas almas, o vinho delicioso e forte que nos dava de beber faziam desaparecer a nossos olhos as coisas passageiras e dos nossos lábios saíam aspirações de amor inspiradas por Ele. Como eram doces as conversações que tínhamos, toda noite, no mirante! O olhar fixo no horizonte, observávamos a branca lua içando-se atrás das altas árvores... os reflexos argênteos que se espalhavam sobre a natureza adormecida, as brilhantes estrelas cintilando no azul profundo... o sopro ligeiro da brisa noturna fazia flutuar as nuvens nevadas, tudo elevava nossas almas para o Céu, o belo Céu do qual ainda só contemplávamos "o reverso límpido" ... Não sei se estou enganada, mas parece-me que a efusão das nossas almas assemelhava-se à de santa Mônica com seu filho quando, no porto de Óstia, ficavam perdidos em êxtase à vista das maravilhas do Criador!... Creio que recebíamos graças de uma categoria tão alta como as concedidas aos grandes santos. Como diz a Imitação, às vezes Deus se comunica em meio a um vivo esplendor, outras vezes "suavemente velado, por sombras e figuras. Era dessa última maneira que se dignava manifestar às nossas almas, mas como era transparente e leve o véu

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