especiais de história e de ciências. Os outros estudos deixavam-me indiferente, mas essas duas áreas atraíam minha atenção. Em poucos meses, adquiri mais conhecimentos que durante meus anos de estudos. Ah! isso só era vaidade e aflição de espírito... O capítulo da Imitação em que se fala das ciências voltava à minha mente, mas achava o meio de prosseguir assim mesmo, dizendo-me que, estando na idade de estudar, não havia mal nenhum em fazê-lo. Não creio ter ofendido a Deus (embora reconheça ter passado nisso um tempo inútil), pois só ocupava um certo número de horas que não queria ultrapassar a fim de mortificar meu desejo excessivo de saber... Estava na mais perigosa idade para as moças, mas Deus fez por mim o que relata Ezequiel em suas profecias: "passando perto de mim, Jesus viu que havia chegado para mim o tempo de ser amada, Ele fez aliança comigo e passei a ser sua... Estendeu sobre mim seu manto, lavou-me em perfumes preciosos, revestiu-me de roupas bordadas, dando-me colares e jóias sem preço... Alimentou-me com a mais pura farinha, com mel e azeite abundante... então passei a ficar bela aos olhos Dele e fez de mim uma poderosa rainha!..." Sim, Jesus fez tudo isso para mim, poderia retomar cada palavra do que acabo de escrever e provar que se realizou em meu favor, mas as graças que relatei acima são prova suficiente. Vou apenas falar da alimentação que me prodigalizou "com abundância". Havia muito que me alimentava da "pura farinha" contida na Imitação, era o único livro que me fazia bem, pois ainda não havia achado os tesouros escondidos no Evangelho. Sabia de cor quase todos os capítulos da minha querida Imitação, nunca me desfazia desse livrinho. No verão, levava-o no bolso; no inverno, no meu regalo. O hábito tornou-se tradicional e, na casa da minha tia, divertiam-se muito abrindo-o ao acaso e fazendo-me recitar o capítulo que se apresentava aos olhos. Aos 14 anos, com meu desejo de ciência, Deus achou necessário acrescentar "à pura farinha mel e azeite em abundância". Esse mel e esse azeite, fez-me encontrálos nas conferências do padre Arminjon, sobre o fim do mundo atual e os mistérios do mundo futuro. Esse livro havia sido emprestado a papai pelas minhas queridas carmelitas; por isso, contrariamente a meus hábitos (pois eu não lia os livros de papai), pedi para lê-lo. Essa leitura foi ainda uma das maiores graças da minha vida. Eu a fiz janela do meu quarto de estudo e a impressão que tive é por demais íntima e doce para que possa expressá-la... Todas as grandes verdades da religião, os mistérios da eternidade, mergulhavam minha alma numa felicidade que não era da terra... Já pressentia o que Deus reserva a quem o ama (não com o olho do
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