que se dilui no bojo do oceano. Ficava só Jesus, era Ele o Senhor, o Rei. Teresa pedira-lhe tirasse sua liberdade, pois sua liberdade lhe fazia medo., Sentia-se tão fraca, tão frágil, que desejava permanecer para sempre unida à Força Divina! ... Sua alegria era grande demais, era profunda demais, para que a pudesse represar. Não tardou em debulhar-se em deliciosas lágrimas, com grande espanto das colegas que, mais tarde, diziam entre si: "Por que será que chorou? Sentiria algo que a acabrunhasse?... Não será, antes, por não ver junto a si a própria mãe ou a irmã, que é carmelita, a quem tanto ama?" - Não compreendiam que, ao descer a um coração toda a alegria do Céu, não a pode suportar um coração banido, sem derramar lágrimas... Oh! não! A ausência de Mamãe não me contristava no dia de minha Primeira Comunhão. Não estava o Céu dentro de mim, e nele não tinha Mamãe desde muito tomado lugar? Desta forma, quando recebi a visita de Jesus, recebi também a de minha querida Mãe, que me abençoava e se regozijava com minha felicidade... Não chorava, outrossim, a ausência de Paulina. Sem dúvida alguma, ficaria contente, se a visse ao meu lado, mas desde muito meu sacrifício estava aceito. Nessa data, meu coração se encheu só de alegria. Uni-me a ela, que irrevogavelmente se dava Aquele que tão amorosamente se dava a mim! ... Na parte da tarde, fui eu quem pronunciou o ato de consagração à Santíssima Virgem. Era muito justo que, em nome de minhas companheiras, falasse à minha Mãe do Céu, eu que tão cedo me privara de minha Mãe da terra... De todo o coração me pus a falar-lhe, a consagrar-me a ela, como filha que se lança aos braços da Mãe, e lhe pede olhe por ela. Parece-me que a Santíssima Virgem terá olhado para sua florzinha e ter-lhe-á sorrido, pois não foi ela quem a curara com visível sorriso?... Não foi ela que no cálice de sua florzinha depositara seu Jesus, a Flor dos Campos, o Lírio do Vale?... À tarde do belo dia, estive novamente com minha família terrena. Pela manhã, já tinha abraçado Papai e todos os meus queridos parentes. Agora, porém, se estabelecia a verdadeira reunião, quando Papai tomou pela mão sua rainhazinha e se dirigiu ao Carmelo... Vi então minha Paulina, que se tornara esposa de Jesus. Divisei-a com seu véu, branco, como o meu, e com sua coroa de rosas... Oh! minha alegria não comportava amargura. Esperava estar em breve novamente com ela, e com ela esperar pelo Céu! Não fiquei insensível à festa de família, que se realizou na tarde da minha primeira Comunhão. Grande prazer me causou o lindo relógio que o meu Rei me deu, mas minha alegria era tranqüila, e nada chegou a perturbar minha paz interior.
Informações adicionais serão incluídas em breve.