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História de uma Alma

Santa Teresinha do Menino Jesus (Tradução de 1906)

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um santinho que me causou grande prazer. Era a "Florzinha do Divino Prisioneiro". Oh! como me foi grato receber tal lembrança das mãos de Celina!... Quantos pensamentos de amor não tive por causa dela!... Na véspera do grande dia, recebi a absolvição sacramental pela segunda vez. A confissão geral deixou-me grande paz na alma, e o Bom Deus não permitiu que a mais leve dúvida a perturbasse. No correr da tarde, pedi perdão a todos da família que vieram visitar-me, mas não conseguia falar senão através de minhas lágrimas. Estava por demais comovida... Paulina não estava presente, mas pelo coração senti que se mantinha junto a mim. Enviara-me por Maria uma bela estampa, que não me cansava de admirar e fazer admirar por toda a gente! ... Escrevera ao bom Padre Pichon para me recomendar às suas orações, dissera-lhe também que logo me tornaria carmelita, e então seria ele meu diretor. (Com efeito, foi o que aconteceu quatro anos mais tarde, pois no Carmelo lhe abri minha alma...). Maria entregou-me uma carta dele. Na verdade, senti-me sobremaneira feliz!... Chegavam-me, simultaneamente, todas as felicidades. O que mais me regozijou na carta dele, foi esta frase: "Amanhã, subirei ao Sagrado Altar, e a intenção será por vós e por vossa Paulina!" No dia 8 de maio, Paulina e Teresa se uniram cada vez mais, pois Jesus parecia tomá-las juntas, quando as inundou de suas graças ... Raiou, enfim, o "mais belo de todos os dias". Quão inefáveis não são as recordações que na alma me deixaram as mínimas circunstâncias dessa data do Céu! ... A alegre alvorada, os respeitosos e afetuosos ósculos das mestras e das colegas maiores ... O salão nobre, repleto de flocos de neve, com os quais cada criança se via adornada por sua vez... Acima de tudo, a entrada na Capela e a entoação matinal do lindo cântico: "Ó Santo Altar, que de Anjos sois rodeado!" Não quero, contudo, descer a pormenores. Há coisas que perdem a fragrância, quando expostas ao ar. Existem pensamentos da alma que se não podem traduzir em linguagem terrena, sem perderem o sentido autêntico e celestial. São como a "pedrinha branca que se dará ao vencedor, sobre a qual está escrito um nome, que ninguém CONHECE, senão QUEM a recebe". Ah! como foi doce o primeiro beijo de Jesus à minha alma! ... Foi um beijo de amor. Sentia-me amada, e de minha parte dizia: "Amovos, entrego-me a Vós para sempre". Não houve pedidos, nem lutas, nem sacrifícios. Desde muito, Jesus e a pobre Teresinha se tinham olhado e compreendido. Naquele dia, porém, já não era um olhar, era uma fusão. Já não eram dois, Teresa desvanecera, como a gota de água

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