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História de uma Alma

Santa Teresinha do Menino Jesus (Tradução de 1906)

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aparência de idiota. Realmente, precisava haver amor para que se não esquivassem de mim... Ah! minhas queridas maninhas, quanto não vos fiz padecer! ... Ninguém, mais do que eu, vos causou tanto sofrimento, e ninguém recebeu tanto amor, quanto vós me prodigalizastes... Por sorte, terei o Céu para me desforrar. Muito rico é meu Esposo, e de seus tesouros de amor tirarei para vos retribuir, ao cêntuplo, tudo quanto sofrestes por minha causa... Na doença, meu maior consolo, era receber carta de Paulina... Eu a lia, tornava a ler, até sabê-la de cor... Certa vez, minha querida Mãe, enviastes-me uma ampulheta e uma das minhas bonecas vestida de carmelita. Dar uma idéia de minha alegria é algo de impossível... Titio não ficou satisfeito, dizendo que, em vez de me fazerem lembrar do Carmelo, seria preciso mantê-lo longe do meu espírito. Mas, eu sentia pelo contrário, que a esperança de ser um dia carmelita, me alentava viver... Meu gosto era trabalhar para Paulina. Fazia-lhe pequenos artefatos de cartolina, e minha maior ocupação era tecer grinaldas de boninas e miosótis para a Santíssima Virgem. Estávamos no belo mês de maio. Toda a natureza se guarnecia de flores e trescalava de alegria. Só a "florzinha" é que se finava, e parecia emurchecer para sempre... Sem embargo, tinha junto a si um Sol. Esse Sol era a Estátua milagrosa da Santíssima Virgem que, por duas vezes, tinha falado à Mamãe. Amiúde, sim, bem amiúde, a florzinha pendia sua corola em direção do Astro bendito... Certo dia, vi quando Papai entrou no quarto de Maria, onde eu estava acamada. Deu-lhe, com expressão de grande tristeza, várias moedas de ouro, dizendo-lhe escrevesse para Paris, mandando celebrar missas em honra de Nossa Senhora das Vitórias, para curar sua pobre filhinha. Oh! 3O como me comoveu ver a fé e o amor do meu querido Rei! Queria poder dizer-lhe que estava curada, mas já eram demais as falsas alegrias que lhe tinha preparado. Não eram, pois, meus desejos que poderiam produzir milagre, e para minha cura se fazia mister um milagre... Havia mister um milagre, e foi Nossa Senhora das Vitórias que o praticou. Num domingo (durante a novena de missas), Maria saiu para o jardim, e deixou-me com Leônia, que lia perto da janela. Ao cabo de alguns minutos, pus-me a chamar quase que à surdina: "Mamã... Mamã". Habituada a ouvir-me sempre chamar assim, Leônia não me deu atenção. Isso durou muito tempo. Então chamei mais forte, e por fim Maria voltou. Vi perfeitamente quando entrou, mas não conseguia dizer que a reconhecia, continuando a chamar cada vez mais forte: "Mamã..." Padecia muito com a luta violenta e inexplicável, e Maria talvez sofresse mais do que eu. Após baldados esforços para me mostrar que estava junto a mim, pôs-se de joelhos perto de minha cama, com Leônia e Celina. Voltando-se depois para a Santíssima

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