me ficar sem poder abrir os olhos por mais tempo, nem abri-los por um instante, quando estava sozinha... Creio que o demônio recebera um poder exterior sobre mim, mas não podia acercar-se de minha alma nem de meu espírito, senão para me inspirar enormes receios de certas cousas, por exemplo, de remédios muito simples, que em vão se esforçavam por me fazer tomar. No entanto, se o Bom Deus permitia ao demônio achegar-se a mim, também me enviava anjos visíveis ... Maria ficava sempre junto à minha cama, cuidava de mim e consolava-me com a afeição de mãe. Jamais externou o menor enfado, e eu, todavia, lhe dava muito incômodo, não admitindo que se arredasse de mim. No entanto, ela tinha a justa necessidade de ir tomar refeição com Papai, mas eu não parava de chamar por ela todo o tempo de sua ausência. Vitória que me fazia guarda, era bastantes vezes obrigada a ir chamar minha querida "Mamãe", como eu lhe chamava. Quisesse Maria sair, havia de ser para ir à missa, ou então para visitar Paulina. Então, eu não falava nada... Meu Tio e minha Tia eram igualmente muito bons para comigo. Minha boa querida Titia vinha visitar-me todos os dias, e trazia-me uma infinidade de agrados. Vinham também visitar-me outras pessoas, amigas da família. Eu, porém, suplicava à Maria lhes dissesse que não queria receber visitas. Não me era agradável "ver, em redor de minha cama, pessoas sentadas, ENFILEIRADAS, a olharem para mim como se fosse um bicho raro". A única visita que me dava prazer era a do Titio e da Titia. Depois da doença, não poderia precisar quanto minha afeição por eles subiu de ponto. Mais do que nunca, compreendi melhor que, para nós, não se tratava de parentes comuns. Oh! o pobre de nosso Paizinho tinha muita razão em nos repetir, de vez em quando, as palavras que acabo de escrever. Mais tarde, teve prova de que não se enganara, e agora deve por certo proteger e bendizer os que lhe tributaram tão abnegadas atenções ... Quanto a mim, como estou ainda no exílio, e não posso demonstrar meu reconhecimento, só disponho de um único meio para aliviar meu coração: rezar pelos parentes que estremeço, e que foram e ainda são tão bondosos para comigo! Leônia também usava de muita bondade para comigo. Tentava distrairme do melhor modo ao seu alcance. Eu é que algumas vezes a magoava, pois ela bem se capacitava de que, junto a mim, Maria era insubstituível... E que não fazia minha querida Celina por sua Teresa?... Em dia de domingo, em vez de sair a passeio, vinha fechar-se horas inteiras dentro de casa, ao pé de uma pobre menininha que tinha a
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