mesma: Ah!, se eu pudesse dizer-lhe o que penso, mostrar-lhe o erro, isso me faria bem. Depois que comecei a praticar um pouco o ofício, asseguro-vos, Madre, que mudei totalmente de sentimento. Quando vejo uma irmã fazer alguma coisa que me parece imperfeita, solto um suspiro de alívio e penso: Que felicidade! Não é uma noviça, não tenho obrigação de repreendê-la. Logo procuro desculpar a irmã e atribuir-lhe umas boas intenções que, sem dúvida, tem para agir dessa forma. Ah! Madre, depois que fiquei doente, os cuidados que me prodigalizais instruíram-me muito a respeito da caridade. Não há remédio que vos pareça caro demais e, se não dá os resultados esperados, não vos cansais de procurar outro. Quando ia ao recreio, quanta atenção em me colocar ao abrigo das correntezas de ar; enfim, se eu quisesse contar tudo, não acabaria nunca. Pensando em todas essas coisas, disse para mim mesma que deveria ser tão compassiva com as enfermidades espirituais das minhas irmãs quanto vós o sois ao cuidar de mim com tanto amor. Observei (e é bem natural) que as irmãs mais santas são as amadas, procura-se a conversação delas, prestam-se serviços a elas sem que tenham de pedi-los, enfim, essas almas capazes de suportar faltas de consideração, de delicadezas, vêem-se cercadas pelo afeto de todas. Pode-se aplicar a elas as seguintes palavras do nosso Pai, são João da Cruz: Todos os bens me foram dados quando não os procurei mais por amor-próprio. Ao contrário, as almas imperfeitas não são procuradas. Permanece-se, sem dúvida, dentro dos limites da cortesia religiosa, mas receando, talvez, dizer-lhes algumas palavras pouco amáveis, evita-se a companhia delas. Ao mencionar almas imperfeitas não estou me referindo apenas às imperfeições espirituais, pois as mais santas só serão perfeitas no Céu, refiro-me à falta de juízo, de educação, à suscetibilidade de alguns temperamentos, todas coisas que não tornam a vida agradável. Sei que essas enfermidades morais são crônicas, sem esperança de cura, mas sei que minha Madre não deixaria de cuidar de mim, de procurar aliviar-me, se ficasse doente a vida toda. Eis a conclusão a que cheguei: devo procurar, no recreio, na licença, a companhia das irmãs que me são menos agradáveis, desempenhar junto a essas almas feridas o ofício de boa samaritana. Uma palavra, um sorriso amável são muitas vezes suficientes para alegrar uma alma triste. Mas não é absolutamente para alcançar essa meta que quero praticar a caridade, pois sei que logo desanimaria: uma palavra que eu teria proferido com a melhor das intenções seria, talvez, interpretada
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