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História de uma Alma

Santa Teresinha do Menino Jesus (Tradução de 1906)

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a uma mestra. Não posso dizer que Jesus me faz caminhar exteriormente pela via das humilhações. Contenta-se em humilhar-me no fundo da minha alma"'. Aos olhos das criaturas, consigo bons resultados em tudo. Ando pelo caminho das honras, na medida em que é possível na vida religiosa. Compreendo que não é para mim, mas para os outros que devo andar por esse caminho que parece tão perigoso. De fato, se eu fosse considerada pela comunidade como uma religiosa cheia de defeitos, incapaz, sem juízo nem inteligência, seria impossível, Madre, fazer-vos ajudar por mim. Eis por que Deus lançou um véu sobre todos os meus defeitos interiores e exteriores. Às vezes, esse véu atrai elogios para mim por parte das noviças. Sinto que não o fazem por adulação, mas que é expressão dos seus ingênuos sentimentos; francamente, isso não poderia inspirar-me vaidade, pois tenho sempre presente à mente a lembrança do que sou. Vez por outra, sou tomada de um desejo muito grande de ouvir outra coisa que não seja elogios. Sabeis, Madre querida, que prefiro o vinagrete ao açúcar e Jesus permite, então, que se lhe sirva uma boa saladinha, bem avinagrada, bem apimentada, nada falta, a não ser o azeite, o que lhe dá um sabor suplementar... Essa boa saladinha me é servida pelas noviças quando menos espero. Deus levanta o véu que esconde as minhas imperfeições e então as minhas queridas irmãzinhas me vêem tal como sou e não me acham totalmente do gosto delas. Com uma simplicidade que me encanta, falam-me dos combates em que as coloco, o que lhes desagrada em mim; enfim, não se constrangem mais do que se falassem de outra pessoa, sabendo que me agradam agindo dessa forma. Ah! francamente, é mais que um prazer, é um banquete delicioso"' que enche minha alma de alegria. Não consigo explicar como uma coisa que tanto desagrada à natureza possa causar tanta felicidade; se não a tivesse experimentado, não poderia acreditar... Num dia em que tinha desejado particularmente ser humilhada, uma noviça incumbiu-se tão bem de satisfazer-me que logo pensei em Semei amaldiçoando Davi, e pensava: Sim, é o Senhor que lhe ordena dizerme essas coisas todas... E minha alma saboreava deliciosamente o alimento amargo que lhe era servido com tanta fartura. Assim é que Deus se digna cuidar de mim. Nem sempre pode me dar o pão fortificante da humilhação exterior, mas de vez em quando permite que me alimente das migalhas que caem da mesa das crianças. Ah! como é grande a sua misericórdia, só poderei cantá-la no Céu... Madre querida, sendo que, convosco, começo a cantar na terra essa misericórdia infinita, preciso contar-vos mais um grande favor obtido na missão que me confiastes. Outrora, quando via uma irmã fazer alguma coisa que me desagradava e me parecia irregular, dizia para mim

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