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História de uma Alma

Santa Teresinha do Menino Jesus (Tradução de 1906)

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fazendo o melhor que eu puder não chegaria a fazer muito e bem, por não ter, como dizia há pouco, conhecimento algum das coisas da terra. Minha única finalidade seria cumprir a vontade de Deus, sacrificar-me por Ele da maneira que lhe fosse agradável. Sinto que eu não teria decepção nenhuma, pois, quando se espera um sofrimento puro e sem mistura, a menor alegria torna-se uma surpresa e, vós o sabeis Madre, o próprio sofrimento passa a ser a maior das alegrias quando é buscado como o mais precioso dos tesouros. Oh, não! não é para usufruir dos meus trabalhos que quero partir, se tal fosse minha finalidade, não sentiria essa doce paz que me inunda e até sofreria por não poder realizar a minha vocação para as missões longínquas. Há muito não me pertenço, entreguei-me totalmente a Jesus. Portanto, Ele é livre para fazer de mim o que quiser. Deu-me a atração por um exílio completo, fez-me compreender todos os sofrimentos que eu encontraria, perguntou-me se estava pronta a esgotar o cálice da amargura. Quis tomar logo essa taça mas, puxandoa da minha mão, fez-me entender que a aceitação lhe era suficiente. Ó Madre, de quantas dúvidas nos livramos pelo voto da obediência! Como as simples religiosas são felizes, tendo por única bússola a vontade das suas superioras, estão sempre seguras de estar no caminho certo, não receiam errar mesmo quando lhes parece óbvio que as superioras se enganam. Quando, porém, alguém pára de olhar para a bússola infalível, quando se afasta do caminho que ela aponta, sob pretexto de fazer a vontade de Deus que não está esclarecendo direito quem o representa, logo a alma se perde nos caminhos áridos onde a água da graça passa logo a fazer falta. Madre querida, sois a bússola que Jesus me deu para levar-me seguramente ao porto eterno. Como me é agradável fixar em vós o meu olhar e cumprir a vontade do Senhor. Depois que Ele permitiu que eu sofresse tentações contra a fé, aumentou muito, em meu coração, o espírito de fé que me faz ver em vós, não apenas uma mãe que me ama e que amo, mas, sobretudo, que me faz ver em vossa alma o Jesus vivo que me comunica a sua vontade por vosso intermédio. Sei muito bem, Madre, que me tratais como alma fraca, menina mimada; por isso, não tenho dificuldade em carregar o fardo da obediência. Mas parece-me, pelo que sinto no fundo do meu coração, que eu não alteraria minha conduta e que meu amor por vós não sofreria diminuição alguma se preferísseis tratar-me severamente; pois ainda veria que se trata da vontade de Jesus que ajais assim para o maior bem da minha alma.

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