partir; embora sentisse uma grande tristeza em meu coração, achava que sua alma tão sensível, tão delicada, não era feita para viver no meio de almas que não saberiam compreendê-la. Mil outros pensamentos acorriam numerosos ao meu espírito e Jesus permanecia calado, não dava ordens à tempestade... Eu lhe dizia: Meu Deus, por amor a vós, aceito tudo; se o quiserdes, posso morrer de tristeza. Jesus contentouse com a aceitação, mas alguns meses depois falou-se da partida de Irmã Genoveva e de Irmã Maria da Trindade. Foi então outro tipo de sofrimento, muito íntimo, muito profundo. Imaginava todas as provações, todos os sofrimentos que elas teriam de encontrar. Enfim, meu céu estava carregado de nuvens... só o fundo do meu coração ficava no sossego e na paz. Madre querida, vossa prudência soube descobrir a vontade de Deus e, em nome Dele, proibistes às vossas noviças de pensar agora em deixar o berço da infância religiosa. Mas compreendíeis as aspirações delas, sendo que vós mesma, Madre, havíeis pedido, na juventude, para ir para Saigon. É assim, muitas vezes, que o desejo das mães encontra eco na alma dos filhos. Ó Madre querida, vosso desejo apostólico encontra em minha alma um eco muito fiel, bem o sabeis. Deixai que vos confidencie o motivo de eu ter desejado e ainda desejar, caso a Santíssima Virgem me cure, trocar por uma terra estrangeira o delicioso oásis onde vivo tão feliz sob vosso olhar materno. Madre, já me dissestes que para viver em Carmelos estrangeiros é preciso ter uma vocação toda especial. Muitas almas pensam ser chamadas sem o ser de fato. Dissestes-me também que eu tinha essa vocação e que só minha saúde era empecilho. Sei que esse obstáculo sumiria se Deus me chamasse para uma terra longínqua; portanto, vivo sem preocupações. Se eu precisar, um dia, deixar meu querido Carmelo, ah! não seria sem ferida, Jesus não me deu um coração insensível, mas é justamente por ser capaz de sofrer que desejo que ele dê a Jesus tudo o que pode dar. Aqui, Madre querida, vivo sem preocupação alguma com os cuidados da miserável terra. Só tenho de cumprir a suave e fácil missão que me confiastes. Aqui, estou suprida das vossas atenções maternas, não sinto a pobreza, nunca me faltou coisa alguma. Mas aqui, sobretudo, sou amada, de vós e de todas as irmãs, e esse afeto me é muito agradável. Eis por que sonho com um mosteiro onde não seria conhecida, onde teria de sofrer pobreza, falta de afeto, enfim, no exílio do coração. Ah! não foi para prestar serviços ao Carmelo que quisesse receber-me que eu deixaria tudo o que me é caro; sem dúvida, faria tudo o que dependesse de mim, mas conheço minha incapacidade e sei que
Informações adicionais serão incluídas em breve.