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História de uma Alma

Santa Teresinha do Menino Jesus (Tradução de 1906)

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Depois de nos consagrarmos ao Sagrado Coração, na basílica de Montmartre saímos de Paris na segunda-feira, dia 7, pela manhã; logo travamos conhecimento com as pessoas da romaria. Eu, costumeiramente tão tímida que nem ousava falar, vi-me completamente livre desse defeito incômodo; surpreendi-me a conversar livremente com todas as grandes damas, os padres e até o bispo de Coutances. Parecia-me ter sempre vivido no meio dessa gente. Creio que éramos queridos de todos, e papai parecia orgulhoso das suas duas filhas. Mas, se ele estava satisfeito conosco, também estávamos com ele, pois no grupo todo não havia senhor mais bonito e mais distinto que meu Rei querido; gostava de ficar cercado por Celina e por mim. Muitas vezes, quando não estávamos num carro e eu me afastava dele, chamava-me para lhe dar o braço como em Lisieux... O padre de Révérony prestava atenção a todas as nossas ações e, muitas vezes, via-o nos observando de longe. Na mesa, quando eu não estava na frente dele, ele encontrava um meio de se inclinar para me ver e ouvir o que eu dizia. Sem dúvida queria conhecer-me a fim de saber se, de fato, eu era capaz de ser carmelita. Creio que ficou satisfeito com o exame pois, no final da viagem, pareceu bem disposto a meu favor. Em Roma, porém, estava longe de me ser favorável, segundo vos contarei adiante. Antes de chegar a essa cidade eterna, meta da nossa viagem, foi-nos dado contemplar muitas maravilhas. Primeiro, foi a Suíça, com montanhas cujos cumes se perdem nas nuvens, as cascatas caindo de mil diferentes e graciosas maneiras, os vales profundos cheios de samambaias gigantes e de urzes cor-de-rosa. Ah! Madre querida, como as belezas da natureza distribuídas em profusão fizeram bem à minha alma, como a elevaram para Aquele que se agradou em lançar tamanhas obras-primas numa terra de exílio que deve durar apenas um dia... Não tinha olhos suficientes para contemplar. Em pé na portinhola, quase não respirava. Queria estar, ao mesmo tempo, dos dois lados do vagão, pois ao virar-me via paisagens encantadoras e diferentes das que estavam na minha frente. Às vezes, estávamos no cume de uma montanha, a nossos pés, precipícios de profundidade inalcançável pelo olhar pareciam querer nos engolir... ou ainda um charmoso e pequeno lugarejo com seus graciosos chalés e seu campanário, por cima do qual balançavam indolentes algumas nuvens resplandecentes de brancura... mais longe, um vasto lago, dourado pelos últimos raios do sol, com ondas calmas e puras a mesclar o tom azulado do Céu aos fogos do crepúsculo, apresentava a nossos olhares maravilhados o mais poético espetáculo que se pode ver... Ao fundo do vasto horizonte, montanhas de formas indecisas, que teriam escapado ao nosso olhar não fossem seus cumes nevados que o

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