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História de uma Alma

Santa Teresinha do Menino Jesus (Tradução de 1906)

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segredo das coisas do seu amor. Ah! se sábios que passaram a vida estudando tivessem vindo interrogar-me, teriam, sem dúvida, ficado espantados ao ver uma criança de 14 anos compreender os segredos da perfeição, segredos que toda a ciência não pudera lhes revelar, pois para possuí-los é preciso ser pobre de espírito!... Como diz são João da Cruz em seu cântico: "Não tinha guia nem luz, fora aquela que brilhava em meu coração, essa luz guiava-me com mais segurança que a do meio-dia para o lugar onde me aguardava Aquele que me conhece perfeitamente''. Esse lugar era o Carmelo. Antes de "descansar à sombra Daquele que eu desejava", devia passar por muitas provações, mas o chamamento divino era tão intenso que, mesmo que tivesse de atravessar as chamas, o teria feito para ser fiel a Jesus... Para encorajar-me em minha vocação, só encontrei uma alma, foi a da minha Madre querida... meu coração encontrou no dela um eco fiel e, sem ela, não teria, sem dúvida, chegado à praia abençoada onde ela fora acolhida cinco anos antes sobre as margens impregnadas do orvalho celeste... Sim, havia cinco anos que estava afastada de vós, querida Madre, pensava vos ter perdido, mas no momento da provação foi vossa mão que me indicou o caminho a seguir... Precisava desse alívio, pois minhas visitas ao Carmelo haviam se tornado sempre mais penosas, não podia falar do meu desejo de ingresso sem sentir-me rejeitada. Achando-me jovem demais, Maria fazia tudo para impedir meu ingresso; vós, Madre, para pôr-me à prova, procuráveis, algumas vezes, diminuir meu ardor; enfim, se eu não tivesse tido verdadeiramente a vocação, teria desistido logo no início, pois encontrei obstáculos logo que comecei a responder ao chamamento de Jesus. Não quis contar a Celina o meu desejo de entrar tão nova no Carmelo e isso fez-me sofrer mais, pois era-me muito difícil esconder dela alguma coisa... Esse sofrimento não durou muito tempo. Logo minha irmãzinha querida soube da minha determinação e, longe de tentar desviar-me do projeto, aceitou com coragem admirável o sacrifício que Deus lhe pedia. Para compreender-lhe a amplitude, é preciso saber até que ponto éramos unidas... era, por assim dizer, a mesma alma que nos fazia viver; havia alguns meses que gozávamos juntas da mais doce vida que moças pudessem almejar; tudo a nosso redor respondia aos nossos gostos, usufruíamos da maior liberdade. Enfim, dizia que nossa vida era o Ideal da felicidade na terra... Apenas havíamos tido tempo de gozar desse ideal de felicidade, e devíamos, livremente, desviar-nos dele. Minha Celina querida não se rebelou um instante. Como não era ela que Jesus chamava em primeiro lugar, podia ter reclamado... tendo a mesma vocação, era a vez de ela partir!... mas, como no tempo dos mártires, os que ficavam nas prisões davam alegremente o ósculo da paz a seus irmãos que partiam para combater na arena e consolavam-se

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