tentar arrumar a cama ou de, na ausência de Celina, guardar os vasos de flores à noite. Como disse, era só por Deus que eu fazia essas coisas, portanto não devia esperar o agradecimento das criaturas. Ai! era todo o contrário. Se Celina não demonstrasse contentamento pelos meus servicinhos, eu ficava contrariada e provava-o com minhas lágrimas... Era verdadeiramente insuportável pela minha sensibilidade excessiva. Se me acontecesse causar involuntariamente aflição a alguém a quem amava, em vez de me controlar e não chorar, o que aumentava meu erro em vez de diminuí-lo, chorava como uma Madalena, e quando começava a consolar-me pela coisa que me levara a chorar chorava por ter chorado... Todos os raciocínios eram inúteis e não conseguia corrigirme desse desagradável defeito. Não sei como acalentava a doce idéia de ingressar no Carmelo, estando ainda nos cueiros!..." Foi preciso Deus fazer um pequeno milagre para eu crescer de repente, e esse milagre se deu num dia inesquecível de Natal, nessa noite luminosa que ilumina as delícias da Santíssima Trindade. Jesus, a doce criancinha recém-nascida, transformou a noite da minha alma em torrentes de luz... nessa noite em que se fez fraco e sofrido pelo meu amor, fez-me forte e corajosa, equipou-me com suas armas e, desde essa noite abençoada, não saí vencida em nenhum combate. Pelo contrário, andei de vitória em vitória e iniciei, por assim dizer, "uma corrida de gigante!..." A fonte das minhas lágrimas secou e só voltou a jorrar pouquíssimas vezes e com dificuldade, o que justificou essa palavra que me fora dita: "Choras tanto na infância que, mais tarde, não terás mais lágrimas para derramar!..." Foi em 25 de dezembro de 1886 que recebi a graça de sair da infância, em suma, a graça da minha completa conversão. Estávamos voltando da missa do galo, em que tinha tido a felicidade de receber o Deus forte e poderoso. Ao chegar aos Buissonnets, alegrava-me por pegar meus sapatos na lareira. Esse costume antigo causara-nos tanta alegria durante a infância que Celina queria continuar a me tratar corno um bebê, por ser a menor da família... Papai gostava de ver minha felicidade, ouvir meus gritos de alegria ao tirar cada surpresa dos sapatos encantados, e a alegria do meu Rei querido aumentava muito a minha. Mas, querendo Jesus mostrar-me que devia me desfazer dos defeitos da infância, tirou de mim também as inocentes alegrias; permitiu que papai, cansado da missa do galo, sentisse tédio vendo meus sapatos na lareira e dissesse essas palavras que me magoaram: "Enfim, felizmente, é o último ano!..." Subi a escada para ir tirar meu chapéu, Celina, conhecendo minha sensibilidade e vendo já as lágrimas em meus olhos, ficou também com vontade de chorar, pois amava-me muito e compreendia meu sofrimento: "Oh, Teresa!", disse-me, "não
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