pois tinha prazer em torná-la cada vez mais interessante, na proporção que via as impressões despertadas, marcadas na fisionomia de minhas companheiras. Sem embargo, a mestra logo me proibiu continuar minha atividade oratória, pois queria ver-nos brincar e correr, e não discorrer... Apanhava com facilidade o sentido das matérias que aprendia, mas tinha dificuldade em decorar os textos. Por isso, quanto ao catecismo, no ano que precedeu minha Primeira Comunhão, pedia quase todos os dias a permissão para decorá-lo no tempo dos recreios. Meus esforços coroaram-se de bom êxito, e sempre fui a primeira. Perdendo casualmente meu lugar, por causa de uma única palavra esquecida, minha dor manifestava-se por lágrimas amargas, que o Padre Domin não sabia como estancar... Estava muito satisfeito comigo (quando não chorava), e chamava-me sua doutorazinha, por causa de meu nome Teresa. Certa vez, a aluna que vinha depois de mim, não soube formular a argüição de catecismo para sua colega. Depois de passar, em vão, toda a roda das alunas, o Sr. Padre voltou-se novamente para mim, declarando que ia verificar se eu merecia o lugar de primeira da classe. Em minha profunda humildade, era só o que esperava. Levantei-me com segurança, respondi as argüições, sem cometer erro nenhum, com grande surpresa de todo o mundo... Feita minha Primeira Comunhão, continuei meu zelo pelo catecismo até a saída do colégio. Dava boa conta dos estudos. Era quase sempre a primeira. Meus maiores sucessos eram em História e redação, Todas minhas mestras me tinham como aluna muito inteligente. Outro tanto não acontecia em casa de Titio, onde passava por ignorantinha, boa e meiga, dotada de juízo reto, mas incapaz e desajeitada... Não me surpreende a opinião que Titio e Titia tinham e certamente ainda terão a meu respeito. Por ser muito tímida, quase não falava. Quando escrevia, meu rabisco e minha ortografia - nada mais natural - não eram de feição que encantassem... Verdade é que, em costurinhas, em bordados e noutras tarefas, me desempenhava bem, a gosto de minhas mestras. Mas, o modo desajeitado com que manejava meu trabalho de agulha justificava a opinião pouco lisonjeira que tinham de mim. Considero tudo isso como uma graça. Uma vez que o Bom Deus queria meu coração só para Si, já atendia minha oração, quando "trocava em amargura as consolações da terra". Para mim, isso se tornava tanto mais necessário, quanto mais não me conservaria insensível a louvores. Muitas vezes, gabavam diante de mim a inteligência das outras, e jamais a minha. Daí concluí que a não tinha, e resignei-me a carecer dela... Meu coração, sensível e amoroso, facilmente ter-se-ia entregado, se tivesse encontrado um coração capaz de compreendê-lo... Tentei ligarme a meninas de minha idade, principalmente a duas dentre elas.
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