← Índice

História de uma Alma

Santa Teresinha do Menino Jesus (Tradução de 1906)

Página 33 de 150
📖 Página 33

fundo do coração punha-me a dizer: "Paulina está perdida para mim!!!" Surpreende ver como meu espírito se abriu no meio do sofrimento. Abriu-se a tal ponto que não tardei em cair doente. A doença que me atingira, provinha certamente do demônio. Furioso com vossa entrada no Carmelo, quis desforrar-se contra mim do grande dano que nossa família lhe infligiria para o futuro, mas não sabia que a carinhosa Rainha do Céu velava por sua débil florzinha e lhe sorria do alto de seu trono, dispondo-se a deter a tempestade no momento que sua flor poderia quebrar irremediavelmente... Pelo fim do ano, fui acometida de contínua dor de cabeça, que quase não me fazia sofrer. Estava em condições de continuar os estudos, e ninguém se preocupava por minha causa. Assim ficou a situação até a Páscoa de 1883. Tendo Papai ido a Paris com Maria e Leônia, Titia levou-me com Celina para sua casa. Certa noite, Titio que ficara comigo, falou-me de Mamãe, de recordações antigas, de uma maneira tão bondosa, que profundamente me comoveu e fez chorar. Disse-me, então, que eu tinha um coração demasiado sensível e necessitava de muita distração. E, com Titia, resolveu proporcionar-nos folguedos nos feriados de Páscoa. Naquela noite, devíamos ir ao Círculo Católico. Achando, porém, que estava muito cansada, Titia fez-me deitar. Ao trocar de roupa, fui sacudida por estranho tremor. Crendo que eu estava com frio, Titia rodeou-me de cobertores e botijas com água quente. Nada, entretanto, fazia reduzir minha agitação, que durou quase a noite inteira. Ao regressar do Círculo Católico, com minhas primas e Celina, Titio ficou muito surpreso de encontrar-me em tal estado. Tinha-o por muito grave, mas não o quis declarar, para que Titia se não sobressaltasse. No dia seguinte, mandou chamar o Dr. Notta que achou, como Titio, estar eu com doença muito grave, da qual nunca fora atingida criança tão nova. Todo o mundo ficou consternado. Minha Tia viu-se obrigada a deixar-me na casa, e cuidou de mim com um desvelo verdadeiramente maternal. Quando Papai voltou de Paris com minhas irmãs maiores, Aimée recebeu-os com um ar tão desconsolado, que Maria me supôs já morta... A doença, porém, não era ainda para morrer. Era, antes, como a de Lázaro, para que Deus fosse glorificado.. De fato, Ele o foi, graças à admirável resignação do meu pobre Paizinho, cuja idéia era que "sua filhinha ficaria louca, ou então morreria". Ele o foi, outrossim, graças à resignação de Maria! ... Oh! quanto não sofreu por minha causa... Como lhe sou reconhecida pelos cuidados que com tão grande desprendimento me prodigalizou... O coração ditava-lhe o que me era necessário. Na verdade, o coração de mãe é muito mais sagaz do que o de um médico. Sabe adivinhar o que convém na doença da filha...

💡 Sobre esta página

Informações adicionais serão incluídas em breve.