Quando vos dizem, com ar totalmente convencido: "Irmã, preciso da vossa ajuda por algumas horas, mas fiqueis tranqüila pois tenho a autorização da nossa Madre e vos retribuirei o tempo que me derdes, pois sei o quanto estais atarefada". Na verdade, quando se sabe muito bem que o tempo que emprestamos não será restituído, preferiríamos responder: "Dou-vos esse tempo". Isso satisfaria ao amor-próprio, pois dar é ato mais generoso que emprestar e fazemos sentir à irmã que não esperamos retribuição... Ah! como os ensinamentos de Jesus são contrários aos sentimentos da natureza. Sem a ajuda da sua graça, seria impossível não apenas praticá-los, mas compreendê-los. Madre, Jesus concedeu à vossa filha a graça de fazê-la penetrar as misteriosas profundezas da caridade; se ela pudesse expressar o que entende, ouviríeis uma melodia do Céu, , mas ai! só tenho balbucios a vos oferecer... Se as próprias palavras de Jesus não me servissem de apoio, ficaria tentada a vos pedir clemência e abandonar a pena... Mas preciso prosseguir, por obediência, o que comecei por obediência. Madre querida, ontem, a respeito dos bens da terra, escrevia que, por não serem meus, não deveria achar difícil nunca reclamar por eles caso me fossem tirados. Os bens do Céu tampouco me pertencem, são emprestados por Deus, que pode tirá-los de mim sem que eu tenha direito de queixa. Porém, os bens que vêm diretamente de Deus, os impulsos da inteligência e do coração, os pensamentos profundos, tudo isso forma uma riqueza à qual nos apegamos como se fosse um bem próprio no qual ninguém tem o direito de tocar... Por exemplo, se comunicamos a uma irmã alguma idéia que nos veio durante a oração e, pouco depois, essa mesma irmã fala a uma outra como se aquela idéia fosse dela, parece que toma o que não é seu. Ou, no recreio, diz-se baixinho a uma companheira uma palavra espirituosa e bem apropriada; se ela a repete em voz alta sem indicar a origem, isso parece um furto à proprietária, que não reclama, mas fica com muita vontade de fazê-lo e aproveitará a primeira ocasião para fazer saber, delicadamente, que alguém se apossou das suas palavras. Madre, eu não poderia explicar-vos tão bem esses tristes sentimentos da natureza, se os não tivesse sentido em meu coração, e gostaria de acalentar a doce ilusão de que só aconteceram comigo se não me tivésseis ordenado ouvir as tentações das vossas queridas novicinhas. Sempre aprendi cumprindo a missão que me confiastes, sobretudo vime forçada a praticar o que eu ensinava. Por isso, agora, posso dizer que Jesus me deu a graça de não ser mais apegada aos bens do espírito e do coração que aos da terra. Quando me acontece pensar e_dizer uma coisa que agrada às minhas irmãs, acho natural que se apropriem dela
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