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História de uma Alma

Santa Teresinha do Menino Jesus (Tradução de 1906)

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de repente em oração. Não sei do interesse que teríeis em ler todos estes pensamentos confusos e mal expressos. Enfim, Madre, não escrevo uma obra literária, mas por obediência. Se vos aborreço, vereis, pelo menos, que vossa filha mostrou boa vontade. Portanto, e sem desanimar vou prosseguir com minha comparaçãozinha, a partir do ponto em que a deixei. Dizia que a certeza de, um dia, ir longe do país triste e tenebroso me fora dada na infância; não acreditava apenas no que ouvia dizer por pessoas mais instruídas que eu, mas sentia no fundo do meu coração aspirações por uma região mais bonita. Assim como o gênio de Cristóvão Colombo levou-o a pressentir a existência de um novo mundo quando ninguém tinha pensado nisso, também eu sentia que outra terra me serviria de morada estável, um dia. Mas, de repente, o nevoeiro que me envolve torna-se mais denso, invade minha alma, e a envolve de tal maneira que não me é mais possível ver nela a imagem da minha pátria. Tudo se evaporou! Quando quero que meu coração, cansado das trevas que o envolvem, repouse com a lembrança do país luminoso ao qual aspiro, meu tormento aumenta. Parece-me que as trevas, pela voz dos pecadores, me dizem zombeteiras: "Sonhas com a luz, com uma pátria perfumada pelos mais suaves olores, sonhas com a eterna posse do Criador de todas essas maravilhas, acreditas um dia poder sair do nevoeiro que te envolve, avança, avança, alegra-te com a morte que não te dará o que esperas, mas uma noite ainda mais profunda, a noite do nada". Madre querida, a imagem que quis vos dar das trevas que envolvem minha alma é tão imperfeita quanto um esboço comparado com o modelo. Porém, não quero escrever mais, receio blasfemar... receio até ter falado demais... Ah! que Jesus me perdoe se o magoei, mas ele sabe que, embora sem o gozo da Fé, procuro, pelo menos, realizar as obras. Creio ter feito mais atos de fé, neste último ano, do que em toda a minha vida`. A cada nova ocasião de luta, quando meus inimigos vêm me provocar, comporto-me com bravura; por saber que é covardia bater-se em duelo, viro as costas para meus adversários", sem dignar-me olhá-los de frente, mas corro para meu Jesus, digo-lhe que estou pronta para derramar até a última gota do meu sangue" para confessar que o Céu existe. Digo-lhe que estou feliz por não gozar desse belo Céu na terra, a fim de que Ele o abra para a eternidade aos pobres incrédulos. Assim, apesar dessa provação que aparta de mim todo o gozo, posso clamar: "Senhor, vós me cumulais de alegria" por tudo o que fazeis" (SL XCI). Pois existe alegria maior que a de sofrer pelo vosso amor?... Mais interior é o sofrimento, menos aparece aos olhos das criaturas, mais ele vos alegra, ó meu Deus; mas se, por impossível que fosse, devêsseis

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