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História de uma Alma

Santa Teresinha do Menino Jesus (Tradução de 1906)

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Que direi de nossos serões de inverno, mormente dos de Domingo? Ah! como me era agradável, depois do jogo de damas, sentar-me com Celina nos joelhos de Papai... Como sua bela voz, entoava canções que enchiam a alma de pensamentos elevados... ou então, embalando-nos de mansinho, recitava poesias inspiradas nas verdades eternas... Depois, subíamos para fazer a oração em comum, e a rainhazinha ficava só ao pé do seu Rei, não precisando senão olhar para ele para saber como rezam os Santos... Afinal, íamos por ordem de idade dar boa-noite a Papai e receber um beijo. A rainha vinha naturalmente por última. Para a beijar, o rei tomava-a pelos cotovelos, e ela exclamava bem alto: "Boa noite, Papai, boa noite, dorme bem". Todas as noites era a mesma repetição... Em seguida, minha mãezinha tomava-me nos braços e levava-me à cama de Celina. Então eu dizia: "Paulina, fui boazinha hoje?... Será que os anjinhos voarão em redor de mim?" A resposta era sempre que sim. Do contrário, passaria a noite toda a chorar. .. Depois de me beijar, como também o fazia minha querida madrinha, Paulina tornava a descer, e a coitada da Teresinha ficava completamente só na escuridão. Por mais que imaginasse os anjinhos a voarem em derredor, o pavor logo a dominava, as trevas faziam-lhe medo, porque da cama não divisava as estrelas que fulgiam levemente... Considero verdadeira graça que vós, minha querida Mãe, me acostumastes a vencer meus temores. De vez em quando, mandáveisme de noite ir buscar sozinha algum objeto num cômodo distante. Se não fora tão bem orientada, teria ficado muito medrosa, ao passo que agora é realmente difícil assustar-me... Ocasiões há em que indago a mim mesma como pudestes educar-me com tanto amor e delicadeza sem me deixar baldosa; pois, a verdade é que não me deixáveis passar nenhuma imperfeição. Nunca me censuráveis sem razão de ser, como também nunca voltáveis atrás numa coisa já decidida. Sabia-o tão bem que eu não teria podido nem desejado dar um passo se mo proibistes. Até papai era obrigado a conformar-se com vossa vontade. Sem o consentimento de Paulina, não ia a passeio e quando papai dizia para eu ir eu respondia: "Paulina não quer". Então, ele ia pedir por mim. Para agradar-lhe, algumas vezes Paulina dizia sim, mas Teresinha percebia pela sua fisionomia que contra sua vontade. Punha-se a chorar sem aceitar consolo até que Paulina dissesse sim e a beijasse cordialmente. Quando Teresinha adoecia, o que acontecia todos os invernos, não é possível dizer com que ternura era tratada. Paulina fazia-a dormir em sua cama (favor indizível) e lhe dava tudo o que ela queria. Um dia,

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