chamava-me de "pirralhinho", o que muito me humilhava. Então, antes de pular da minha cadeira abaixo, virei-me com dignidade e disse-lhe: "Vitória, sois um pirralho!" Depois escapei dali, deixando que meditasse a profunda declaração que eu acabava de fazer-lhe... A reação não se fez esperar. Logo a escutei, que esbravejava: "Senhorita Maria... a Teresa acaba de dizer-me que não passo de um pirralho!" Veio Maria e obrigou-me a pedir perdão, o que, porém, fiz sem contrição, por achar merecido o título de pirralho, uma vez que não quis estender seu grande braço para me prestar um pequeno serviço... Entanto, ela me queria muito, e também eu gostava muito dela. Um dia, tirou-me de grande risco em que caíra por culpa minha. Estava Vitória a passar roupa, e tinha ao lado um balde com água dentro. Eu, porém, olhava para ela a balouçar-me numa cadeira (e era hábito meu), e de repente me escapa a cadeira e caio, não no chão, mas no fundo o balde!!!... Os pés tocavam na cabeça, e eu abarrotava o balde como o pintinho abarrota o ovo! ... A pobre da Vitória contemplava-me com um extremo de surpresa, pois nunca tinha visto situação igual. Tinha todo o empenho de safar-me quanto antes do meu balde, cousa que resultava impossível. Minha prisão era tão ajustada que eu não lograva fazer nenhum movimento. Com um pouco de dificuldade, ela salvou-me do meu grande perigo, mas não salvou minha roupa e tudo o mais, de sorte que tive de trocar a roupa, pois estava molhada que nem um pinto. Outra ocasião caí dentro da lareira. Felizmente o fogo não estava aceso. Vitória não teve senão o incômodo de levantar-me e sacudir a cinza de que ficara coberta. Foi numa quarta-feira, quando estáveis no ensaio de canto com Maria, que todos esses reveses me aconteceram. Foi também numa quarta-feira que o Pe. Ducellier veio visitar-nos. Como Vitória lhe dissesse que não havia ninguém em casa senão Teresinha, ele entrou na cozinha para me visitar e olhou minhas lições. Muito desvanecida fiquei em receber meu confessor, porque pouco tempo antes me tinha confessado pela primeira vez. Que suave lembrança para mim!... Ó minha Mãe querida! com que solicitude me preparastes, quando me explicastes que não era a um homem, mas ao Bom Deus que iria contar meus pecados. Disto estava tão convicta, que fiz minha confissão com grande espírito de fé, e cheguei até a perguntar-vos, se não seria mister referir ao Padre Ducellier que o amava de todo o meu coração, pois que em sua pessoa era ao Bom Deus que ia falar... Bem instruída a respeito de tudo quanto devia fazer e dizer, entrei no confessionário e pus-me de joelhos. Quando, porém, abriu o postigo, Padre Ducellier não enxergou ninguém. Era tão pequena, que a cabeça
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